Não pagar multa? Não ser preso? O que motiva as pessoas a fazerem o que é certo e, não, o que é errado?

O sentido do certo e do errado gerou um debate bem interessante com meus alunos de Filosofia. Começou com um texto de Thomas Nagel, “Certo e errado”, do livro Uma Breve Introdução à Filosofia (Martins Fontes).

A situação hipotética descrita por Nagel envolve um funcionário de biblioteca, cujo amigo pede para deixar levar um livro às escondidas. E depois, seguem-se várias páginas com todas as razões possíveis para não fazer o que é errado, desde ser pego e repreendido pelo empregador, até não querer prejudicar os outros associados… até o senso de justiça e lealdade ou, mesmo, perder o céu, após a morte.

Boa parte dos raciocínios tinha a ver com consequências. Então, eu dizia que as consequências também teriam relação com o valor monetário ou histórico do livro. Se fosse um exemplar comum e tivesse outros iguais a ele, talvez uma advertência e a reposição do exemplar encerrassem a questão. Mas, e se fosse um exemplar único? Um manuscrito medieval valiosíssimo? No mínimo, seria um caso de polícia!

No entanto, o que é certo e o que é errado, comentei, não têm a ver com o valor do objeto. Pegar uma caneta não é menos errado que pegar um diamante. Porque a intenção, as crenças e os motivos geradores do ato é que importam. Afinal, não pode existir uma situação em que a gente precise mais de uma caneta que de um diamante?…

O que tem relação com o valor monetário do bem, são as consequências sociais. E consequências são dados externos. E o que cria condição de saber o que fazer, antes de receber as consequências, é um desenvolvimento interno, resultado da evolução espiritual.

Calunga DefinitivoIsso me levou ao caráter pedagógico, educativo, das leis universais. Como diz Calunga (em Calunga Definitivo), “o objetivo da lei universal não é permitir ou proibir, mas ajudar a entender como funciona, desenvolvendo a liberdade e, não, a obediência. Quando se perguntar se deve ou não fazer uma coisa, pergunte a si mesmo se está fazendo isso por força ou por fraqueza. Agir por fraqueza é escravizar-se, agir por força é conquistar amadurecimento na experiência.”

Leis naturais não são regras, nem mandamentos. São como a lei da gravidade: expressões de como o Universo funciona e que a gente vai descobrindo, aos poucos.

Ouça também no rádio:

O QUE MOTIVA AS PESSOAS A FAZEREM O CERTO? – Parte 1

O QUE MOTIVA AS PESSOAS A FAZEREM O CERTO? – Parte 2.

A partir do texto de Rita Foelker, os apresentadores debatem o caráter pedagógico, educativo, das leis universais.

Programa Universo Espírita – Rádio Boa Nova. Apresentação: Paulo Henrique de Figueiredo, Rita Foelker, Cristina Sarraf e George De Marco

Publicado por ritafoelker

Filósofa, palestrante e jornalista. Escritora reconhecida nos temas: espiritualidade, inteligência emocional e educação, publica livros desde 1992. Faz palestras no Brasil e no exterior. Formação em Pedagogia Sistêmica com a Educação, pelo Instituto Hellen Vieira da Fonseca.

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3 comentários

  1. A INSPIRAÇÃO NÃO É E NÃO PODE SER ENSINADA POR NINGUÉM VEM DA ALMA DE UMA PESSOA. NO MEU PROJETO OS MOMENTOS ESPECIAIS DE UMA MÃE REAL ENTENDO INOVADOR EXATAMENTE POR ATENDER O CONTEXTO DO EXCELENTE ARTIGO. E PLANEJAMENTO FAMILIAR MAS NÃO FALAMOS EM USO DE ISTO OU AQUILO. FALAMOS DAS VIRTUDES POSITIVAS DE SER MÃE REAL. A) O ENCONTRO B) A EXPLOSÃO DA VIDA C ) A ESCOLHA SEM H D )MSE AVO E MÃE ADOTIVA. TUDO INCENTIVO E NÃO PROIBIÇÃO JOSÉ NEWTON

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    1. Acredito plenamente no desenvolvimento da sensibilidade, por meio de vivências e reflexões, como um importante caminho de educação e conscientização. Grata pela contribuição, José Newton.

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