Colorir livros: um prazer assumido pelos adultos

Colorir livros agora é um prazer assumido pelos adultos. E a palavra chave aqui é “assumido”.

Porque, há tempos, algumas propostas de arte vêm sendo aceitas, entre os mais crescidos, devido a seu alcance terapêutico. Como os livros de mandalas para colorir. Só que, ainda assim, o público era restrito e a justificativa era um motivo racionalmente plausível.

Ultimamente, virou deleite explícito e mania. E o bacana é que outros adultos mais envergonhados de suas “taras secretas”, passaram a usufruir melhor do direito de colorir desenhos em público, de mostrar suas artes nas redes sociais!

Mas isso tem história. Pintar desenhos e, especificamente, mandalas, é um costume antigo na Humanidade, como explica Shia Green, em El Libro de los Mandalas del Mundo. Segundo o autor, a palavra ‘mandala’ tem origem na língua sânscrita, que era falada na Índia antiga. Significa “círculo” e, como um composto de ‘manda’ = essência e la = ‘conteúdo’, pode ser traduzida como “o que contém a essência” ou “ a esfera da essência” ou ainda “o círculo da essência”.

Carl Jung, fundador da Psicologia Analítica, considerava as mandalas como representações simbólicas da totalidade desconhecida da psique. Ao reunir elementos opostos em torno de um centro, ela revela a diversidade e a integração das forças que atuam no eu e, também, no Universo.

Mas, em que elas podem nos beneficiar?

O centro é a representação da nossa essência espiritual mais profunda, nossa energia psíquica. De lá, emana o sentido que atribuímos a todas as experiências que vivemos. De lá provêm a intuição, a criatividade e o senso de uma finalidade para o viver cotidiano, para a superação dos desafios e o desenvolvimento espiritual.

Sem contato com essa essência, vagueamos na periferia de nós mesmos entre fragmentos de sonhos, dores internas, emoções conflituosas, sensação de vazio e de inadequação. Principalmente, sensação de falta, de precisar de algo que não se sabe o que é. Falta que é, exatamente, do contato com nosso centro, com os motivos essenciais de nossas ações.

A Psicologia ocidental, em termos gerais, não toma conhecimento desse fulcro central que organiza a experiência e a transforma em degrau de evolução consciente. Desenhar e pintar mandalas é um modo simbólico de começar a acessar essa realidade interna. De reconhecê-la e de lhe dar um lugar em nossas vidas. Por essa razão, há uma sensação de bem estar e de harmonia no colorir mandalas, em qualquer idade da vida em que iniciemos esse exercício.

Colorir quaisquer desenhos, contudo, escolher cores e materiais, imprimir mais ou menos força à pintura, buscar criar um todo harmonioso como resultado final, são excelentes maneiras de exercitar nossas escolhas e reencontrar nossa harmonia interna. A criança pinta, o ego critica e o adulto agradece.

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