Família: tão importante que, mesmo quando negamos, estamos afirmando de um jeito inverso

Filha para os pais, à mesa: – Assim não dá! Vocês nunca brigaram! Assim, eu fico sem referência! Conclusão do pai: – Isso é culpa da escola construtivista…

A conversa acontece em Amor Veríssimo, do GNT, uma série sobre relacionamento baseada em textos de Luís Fernando. Diálogos divertidos, coisas pra pensar com leveza.

Família, todo mundo tem. Gostando ou não, morando perto ou longe, por nascimento ou por escolha, no dia a dia ou na lembrança. E há algo de importante e profundo na família: nossas origens, nossas referências, nossos comportamentos aprendidos. Nossas ligações espirituais. E esse algo é tão forte que, mesmo quando negamos, estamos afirmando de um jeito inverso.

Mas, indo bem ou, mesmo, aos “trancos e barrancos”, quem acredita viver num Universo feito de acasos e fatos fortuitos, tende a pensar na família como uma casualidade ou um acidente de percurso. As ideias materialistas alimentam essa visão. O clássico “eu não pedi pra nascer”.

Pensando sobre isso, hoje eu creio que as maiores dificuldades de relacionamento que as famílias enfrentam vêm dessa visão rasa. Porque quem diz que não pediu pra nascer, também não pode ser responsabilizado. Sente que “caiu de paraquedas” e não tem nada a ver com aquilo ali. Não pode ser “cobrado” por suas atitudes. E, às vezes, essa sensação leva a um tipo de vida autocentrada, individualista, que vai minando as ligações familiares, mas não só isso: gerando instabilidade, discussões, distanciamento.

Família é um laço espiritual. Quando a compreensão da lei espiritual nos aponta o sentido mais amplo da convivência familiar – aprendizado e evolução -, começamos a pensar diferente e a agir diferente. Com entendimento de significados e consequências, temos outra perspectiva das dificuldades cotidianas.

Eckhart Tolle, em O Poder do Agora, nos convida a aceitar o momento presente como se o tivéssemos escolhido. Mas não é tão raro viver a família como se ela fosse um fardo, uma realidade incômoda ou, até, uma prisão. De fato, todos nascemos de um pai e uma mãe, e isso não tem como ser mudado. Nascemos num certo meio e com um corpo físico que, saudável ou não, não pode ser trocado. Se não gostamos da nossa condição e se não entendemos por que estamos naquele lugar, às vezes, pode ficar difícil aceitar e conviver com as diferenças de hábitos e opiniões. Administrar a distância entre visões de vida e as emoções confusas. Mas ainda podemos olhar melhor e ter mais sabedoria nos atos e escolhas.

Não tem receita pra ser família. Às vezes, é o caso de compor uma solução; às vezes, segurar a onda de ser você mesmo(a). Mas seja como for, sempre dá pra ser mais compreensivo, benevolente e generoso, quando somos mais espirituais que imediatistas.

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