A Mágica da Arrumação: a função da ordem e do caos, nos ciclos da vida

Marie Kondo, autora do best-seller A Mágica da Arrumação (Ed. Sextante), resolve um problema complexo para muitas donas e donos de casa a partir de uma fórmula muito simples: se me traz alegria, fica; se não, educadamente descarto.

Educadamente, para mim, é uma palavra-chave no processo: quer dizer que não largo por aí, não poluo minha vizinhança, não ajo como se não me importasse com a maravilhosa teia da vida.

Arrumação é exercitar a educação através de uma ação externa, mas tem também um outro efeito, o de remexer o interno. Trazer reavaliações e ressignificações. Velhas coisas entram em novas categorias… ou são descategorizadas porque já não pertencem à vida que vivemos ou desejamos viver. Há, assim, uma pergunta básica sobre o que descartamos: “como?”

Mas há uma pergunta básica também sobre o que retemos: “por quê?” – a qual, respondida com humildade e sinceridade, dá uma boa noção do que realmente necessitamos. Revela o que é supérfluo, tornou-se desnecessário ou, até, nocivo, pois existem objetos e hábitos que, se durante um tempo, serviram de apoio para nós, não combinam com aquilo em que desejamos nos aprimorar.

Além da ordem, no entanto, naturalmente há momentos de caos em nossas vidas e eles têm uma função. Sempre? Sim. Por quê? Porque o mundo conhecido já está organizado e classificado… o que se vai descobrir, a ‘terra à vista’ e continente inexplorado, é o desconhecido e o caótico aos nossos olhos. Precisamos dele, ou permanecemos na zona de conforto e não nos transformamos.

E tão importante quanto imprimir ordem ao campo conhecido, é não temer o desconhecido. Passear pelo terreno não mapeado com serenidade e alguma atenção aos sinais.

Errar e acertar fazem parte do viver. Há espaço para a dúvida e a perplexidade, para o não-saber até descobrir ou aprender. As escolhas equivocadas revertem em aprendizado; as acertadas, em avanço…

Ordem e caos: cresço com eles, aceitando e exercitando ambos como processos de transformação interna e crescimento. Além do mais, segundo Joan Garriga Bacardí, em Viver na Alma (Ed. Saberes), “as exigências da alma para alcançar a desejada meta da da paz são simples”. Perdemos o vínculo com o a harmonia interior no exato momento que perdemos a relação direta com a profundidade do sentido maior da existência… mas podemos cultivar a conexão, sempre possível perante a ordem ou o caos externos.

Todos temos dificuldades para serem trabalhadas. Temos, porém, infinita capacidade de aprender. E aprender, abrir o coração àquilo que É, sem opiniões e julgamentos, é agir em favor da paz. Aos poucos, libertarmo-nos de nosso pequeno “eu”, de nossos desejos egoístas e temores, para alcançar o pleno desenvolvimento das sementes adormecidas em nós.

“Nem todos que vagueiam estão perdidos.” C. S. Lewis

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