Só um Ego se incomoda com outro Ego

“Teu crítico é que te faz crescer.”* Nesta afirmação, o médico e professor espírita Décio Iandoli Jr. faz pensar na crítica, no seu melhor sentido. Mas seria, ela, apenas a chamada “crítica construtiva”, aquela que é feita no intuito de acrescentar, aprimorar?

Vou defender aqui que o conjunto das críticas que constroem pode ser bem maior que o conjunto das críticas feitas com objetivo construtivo. Pois a construção não depende simplesmente de como ela é feita, mas principalmente de como é recebida e aproveitada.

Uma indicação disso se encontra em Provérbios 9:8: “Não repreendas o escarnecedor, para que não te odeie; repreende o sábio, e ele te amará.” Ou seja, na situação de ser criticado, alguém arrogante se aborrece, imagina-se acima da crítica, permanece onde está e nada aprende. Mas a pessoa que compreende o valor do aprimoramento recebe de boa vontade e agradece o crítico, por haver permitido agregar melhorias a sua realização. Por ter tido a chance de pensar melhor e obter um resultado melhor do seu esforço.

Olhando por esse lado, mesmo que uma crítica chegue meio “torta”, pareça indevida ou imerecida, isso não quer dizer que não seja útil. Ela pode nos alertar para algo que não percebemos, para prestarmos mais atenção a aspectos relevantes. Mas isso somente se, no momento exato, esquecermos o Ego e nos lembrarmos de usar a humildade que abre a mente e os ouvidos. Só o fato de contar com uma perspectiva diversa pode ser um benefício.

E se alguém argumentar contra, o diálogo pode ser um modo de checar seus próprios argumentos e fortalecê-los.

Claro que, se colocarmos o Ego na frente, não conseguiremos ter lucidez e encontraremos um meio de disputar razões com nosso crítico. Mas inteligentemente colocando-o no seu devido lugar, podemos usar aquele momento pra evoluir.

Houve certa vez uma conversa com meu filho, sobre os papéis dos vilões na literatura e cinema. Sem o vilão, seria difícil desenvolver a trama. O vilão existe para o herói poder mostrar quem ele é. Quando o herói responde à ação ou provocação do vilão, ele usa seus poderes, sua inteligência, demonstra as suas qualidades e é confrontado por suas fraquezas. Isso o leva frequentemente a encarar circunstâncias e superar-se, encontrando capacidades ignoradas para vencer o desafio. Encontrar resistência pelo caminho é um jeito de nos fortalecermos e adquirir mais segurança.

De fato, a crítica recebida positivamente pode ser um meio de trazer à tona nosso melhor potencial, ainda adormecido. Não importa de onde veio, com que intenção. Isso mesmo, uma crítica pode não ter sido construtiva na sua origem, mas ainda pode construir.

 * O trecho pertence ao texto “Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”, postado no blog Portal Espiritualista. Disponível em http://migre.me/g1bns

(Republicado de Artigos FEAL)

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