O amor NÃO É líquido!

Eu olho em volta e vejo mudanças acontecendo, liberdade aumentando, desde os anos 1960. Mas não vejo amor se derretendo ou liquefazendo… Vejo, antes, seres confusos sobre o que esperar da vida e de seus relacionamentos.

Esta confusão caminha junto com a nossa perda da capacidade de sentir profundamente e de interpretar sentimentos e sensações. Vou compartilhar um pensamento que me ocorreu ontem, enquanto saboreava uma manga tommy e  me lembrava da variedade de mangas existentes na Natureza. Manga espada, manga rosa, manga bourbon, manga coquinho… Ser criança num quintal é um convite à experiência e degustação, que estimula e desenvolve a sensibilidade e aumenta o número de conexões cerebrais. Um exercício que vai nos habilitando a sentir e a discernir. Ter um quintal é um tipo de privilégio.

Essa experiência, porém, foi se distanciando das cidades. Os sabores industrializados são todos iguais – chocolate, morango, tutti-fruti. São misturas químicas, em alimentos excessivamente doces ou salgados. Muitas vezes, reforçados com glutamato monossódico. São sabores que viciam e funcionam em nós de um jeito tal, que as sutilezas se perdem para o paladar.

E com elas, vamos perdendo as experiências sensoriais. Empobrecendo nosso repertório de sensibilidades. Fazendo esquecer a capacidade de sentir.

Uma relação a dois é um exercício de sensibilidade, de perceber a forma como nos sentimos e como fazemos o outro sentir. Quando perdemos essa referência, ficamos confusos, eventualmente inconstantes, e nossas relações se fragilizam.

“Sobre a fragilidade dos laços humanos” é o subtítulo do livro Amor Líquido, de Zygmunt Bauman. Às vezes a gente lê uma coisa e concorda – ou acredita – só porque vê escrito. Juntar “amor” e “fragilidade” numa frase faz pensar que a fragilidade é um traço característico do amor. Mas não é. O amor é sempre belo e forte.

Ocorre que antigamente éramos mais movidos por regras, família e expectativas sociais do que hoje em dia. Antigamente os costumes eram mais rígidos. Os bens eram mais duráveis. Os avanços tecnológicos eram mais lentos. As pessoas hoje se acostumaram a uma velocidade maior, que leva a uma troca ou substituição mais frequente.

Mas há coisas que permanecem. A fluidez e as mudanças só são boas porque há bondade, amor, segurança das Leis Divinas. Sem itens que são permanentes – Amor, afeto, aprendizado, evolução, uma vida perde seu sentido entre medo, ansiedade e confusão. E as relações balançam ou colapsam.

A desatenção às mudanças que ocorrem no relacionamento (mudanças, muitas vezes, pressionadas por questões externas e, outras, pela alteração na própria forma de os parceiros verem a vida) faz com que os sinais sejam negligenciados. E com a negligência há o distanciamento.

O distanciamento começa com o foco a outros aspectos, como o profissional ou pessoal, por exemplo. Cada parceiro vai se envolvendo mais com as “suas” próprias coisas e fazendo menos as “nossas” coisas. Há também distanciamento físico: menos beijos, menos carinho, menos sexo. E quando as coisas não vão bem, parece haver um certo prazer em provocar e magoar o outro. Tudo isso, aparentemente, em nome do direito de viver a própria vida.

Claro que vivemos nossa própria vida! Mas isso não quer dizer que não a compartilhamos com alguém, por desejo e por amor. Com um pouco de atenção e generosidade, quando percebemos que os laços estão se esgarçando, que já não existe tanta cumplicidade e harmonia quanto antes, podemos mudar isso.

Estando mais atento(a). Compartilhando mais tempo. Interessando-se mais pelo que se passa com o(a) parceiro(a). Tocando, beijando e abraçando mais – sim, o afeto é dado e recebido fisicamente! Cuidando mais dos sentimentos. Responsabilizando-se pela convivência e necessidades comuns.

O Amor é forte, firme e belo, mas precisa de nossa atenção e de nossas atitudes.

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