Chateação!

Desde os anos 1980, nós passamos a ter  uma percepção diferente do nosso mundo emocional, que ficou ao alcance de nossas consciência e de nossas escolhas. Mas talvez a gente ainda viva como se fosse controlado pelas nossas emoções e, não, como se tivesse o controle delas.

Todos nós podemos ter momentos de irritação e mau humor. Muitas vezes, ocorrem tantas coisas desagradáveis e frustrantes em curto período de tempo, que as irritações se emendam. Como quando já chegamos atrasados por causa do trânsito, mas também tivemos dificuldade para estacionar e percebemos que a reunião também está atrasada e isso é bom porque não perdemos nada, mas  vai complicar para buscar as crianças na escola…

Agora, às vezes, uma única chateação previsível, que nos permitimos sentir e reclamar mentalmente, espalha-se pelas outras coisas que vamos fazer e vai minando a alegria de muitas horas.

O que quero pontuar aqui é: se há dificuldade em lidar com emoções repentinas, é porque não estamos preparados. Então, por que é que a gente não se prepara para as emoções que já são esperadas? Como no caso em que eu sei que vou a um local e vou ter que tratar de um assunto chato. Se eu sei que posso me chatear, muito me ajuda se lidar com isso antes. Fazer isso evita tanto desgaste, tanta perda de tempo e energia, tanto pensamento que absolutamente não melhora nossa vida em nada!!!

 

A Educação Emocional é importante, primeiro, para reconhecer a emoção que estamos experimentando; segundo, para fazer algo a respeito antes que uma emoção negativa nos tire do equilíbrio e bem estar; terceiro, para podermos escolher conscientemente como vamos nos sentir e agir com o que vai acontecer.

Minha dica para hoje, então, é: comece a observar se o mau humor e a chateação não estão se tornando o seu estado cotidiano normal. Se tudo não acaba virando motivo. Se sua vida está se transformando numa grande e interminável chateação.

Existe um problema real, que pode e precisa ser diagnosticado, um transtorno de humor chamado distimia, que se caracteriza principalmente pela falta de prazer na vida, pela incapacidade de se divertir e pela constante negatividade relacionada aos acontecimentos em geral. A distimia é considerada um tipo de depressão e tem tratamento.

Mas antes de começar a usar isso como desculpa ou justificativa pra viver emburrado ou emburrada, é bem melhor se predispor a fazer algo a respeito.

Mesmo quando acorda pela manhã desejando um dia leve e gostoso, você às vezes sabe que algo que terá que fazer é uma fonte certa de aborrecimento. É sábado de manhã e você precisa ir ao mercado, mesmo que esteja lotado e que tenha que andar desviando e pedindo licença pra todo mundo, mesmo que encare aquela fila imensa no caixa. Ou vai mexer com o universo da informática, vai fazer coisas que disseram que seriam fáceis no computador, mas não dá tão certo quanto disseram. “Em cinco minutos você resolve isso!” Você faz do jeitinho que explicaram, mas logo percebe que está ali há mais de uma hora e ainda não resolveu o que precisava.

Bom, você sabia que ia ter algo chato ou aborrecido pela frente, não é? Então a grande pergunta é: se você já sabia, por que é que você deixou acontecer? Se sabia que podia se irritar, por que se permitiu ficar irritado?

Emoções são reações instantâneas, pré-racionais. Mas se você já pôde pensar a respeito, já podia também ter desenvolvido uma estratégia. Quando eu vou para uma atividade desse tipo, por exemplo, eu já saio de casa consciente de que vou precisar de paciência e de boa vontade. Já me programo para ser calma e tratar bem as pessoas. Mesmo que na hora perca a vontade de fazer isso, vou ficar firme . Se souber que vou ter que esperar, se for uma consulta médica ou um atendimento na agência bancária, levo um livro pra ler. Está fácil fazer isso, com os ebooks que a gente carrega no celular.

Nem tudo que acontece se explica ou justifica, sejam comportamentos de outros, sejam as circunstâncias. Mas a aceitação é um movimento interno que melhora, torna leve e menor qualquer dificuldade. Não aja como se você fosse a vítima. Há muito a se fazer a respeito. Respire, observe, aprenda. Mesmo se acabar a energia elétrica e você precisar subir 14 andares pela escada, OK?…

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