Calunga diz que pensamentos cristalizados podem adoecer. É comum termos o hábito mental de cristalizar, isto é, “fotografar” as coisas e fixá-las em nossa mente, de um certo modo. Fotografamos pessoas, também. Quer dizer: classificamos, arquivamos no pendrive de pensamentos e ficamos repassando aquelas imagens, com tudo o que elas representam para nós.

Também é comum sofrermos ao fazer isso, razão pela qual viveríamos melhor se nos desapegássemos dessas imagens cristalizadas sobre coisas, fatos e pessoas.

E essa não é uma ideia nova…

Isso mesmo! Abordando nossos pensamentos cristalizados, há um texto em O Evangelho Segundo o Espiritismo que se intitula “A verdadeira desgraça” e que começa assim: “Todos falam da desgraça, todos a experimentaram e julgam conhecer o seu caráter múltiplo.” E segue: “Mas a verdadeira desgraça está mais nas consequências de uma coisa do que na própria coisa.” O trecho fala do costume de fazer uma observação estática e convida a um olhar dinâmico dos acontecimentos.

A gente tem mania de “congelar a cena” num certo ponto do fluir da vida e considerá-la como um fato bom ou ruim. É isso que nos faz ver um acontecimento cotidiano como um obstáculo, por exemplo, e reagir negativamente a ele. É o que faz com que nos sintamos pessoas azaradas e perseguidas, ou abençoadas e gratas. Pegamos um momento de alguém, congelamos e passamos a usar como referência de caráter.

Nada nesta existência, contudo, está parado. A vida é fluxo. Pessoas são multifacetadas. E a Lei da Vida está permanentemente respondendo aos nossos pensamentos mas, principalmente, às nossas atitudes. Como diz Calunga, a vida está só esperando a gente agir, que é pra ela agir de acordo.

Diante das contrariedades

Essa compreensão vai nos permitir ver que aquilo que chamamos de “contrariedades” não são obstáculos mas, somente, sinais. São indicadores. É como a placa que diz: “se quiser chegar lá, o caminho não é este”. Ou diz: “é por aqui, mas você ainda precisa caminhar mais para chegar”.

Quando vemos as contrariedades como obstáculos, punições, azares ou perseguição, esse tipo de entendimento prejudica nosso julgamento e interfere nas nossas ações. Coloca o peso da frustração e da raiva sobre nossas palavras e gestos.

Nem preciso falar que a cena cristalizada tem a ver conosco – com nossa compreensão, com nossas visões e nosso passado – muito mais que com o fato em si. “De novo, isso na minha vida! Está vendo só!”

Do mesmo modo, se somos pessoas competitivas, enxergamos sempre competidores ao nosso redor. E toda situação se torna uma competição… para nós. Pensamento cristalizado.

Se somos pessoas negativas, sempre focamos nos aspectos negativos de uma oportunidade e isso prejudica nossa decisão sobre ela. Pensamento cristalizado.

Se você é carente, os outros estão sempre desconsiderando você. Se fazem algo que desagradou, é como se tivessem feito aquilo só porque não ligam pra você. Pensamento cristalizado.

Esses são apenas alguns exemplos. Você provavelmente conhece ou vivencia outros.

A vida, contudo, é mais rica e sábia que o seu entendimento dela. Todos, sem exceção, enfrentamos dificuldades. Ninguém é privilegiado, nesse aspecto. Se olhar ao seu redor, irá compreendendo que essa é a situação geral e que nossa forma de entender e agir é que vai fazer diferença sobre como nos sentimos e decidimos.

Suavize. Descongele e cena. Relativize. Isso diminui o sofrimento e o peso dos acontecimentos, acrescentando leveza ao seu cotidiano.

Leia abaixo, o trecho de Calunga que originou este post:

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* Durante o mês de julho,  você poderá rever alguns posts do blog Vidas Inteligentes. Retomaremos as publicações inéditas em agosto.

Publicado por ritafoelker

Palestrante, filósofa e jornalista. Escritora reconhecida nos temas: espiritualidade, inteligência emocional e educação, publica livros desde 1992. Faz palestras no Brasil e no exterior, realizando sua formação com Roberto Shinyashiki / Instituto Gente.

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