Caminhos espirituais: essência e superfície

Quando você escolhe um caminho de aprimoramento espiritual, você faz isso por razões diversas. Porque ele se relaciona fortemente com sua visão de vida ou perspectiva de evolução. Porque sente profunda afinidade com um grupo, sua prática e seu método. Porque sente que você está sendo aprimorado nesse caminho, melhorando as emoções, percebendo melhor a si e aos demais, reconhecendo seu propósito na existência.

E é natural crer que aquele seja o melhor caminho. Isso, tem a ver com a essência, com o modo como esse caminho recebe você e você o recebe em seu coração.

Mas você também pode simpatizar com outros aspectos agregados ao caminho escolhido, como a linguagem, o simbolismo, as músicas, as vestimentas, os rituais, as práticas. Que, embora sejam parte dele e estejam presentes no decorrer da caminhada, são itens que estão mais ligados ao sensório e à superfície. E às vezes, estão relacionados ao seu passado reencarnatório.

Quando percebe esses dois aspectos, essência e superfície, você também começa a fazer uma distinção importante: o fato de que um caminho pode ter uma essência muito bela e profunda, realmente transformadora, mas cuja linguagem, simbolismo, rituais e práticas não o atraem ou até desagradam. Exemplo: a filosofia Hare Krishna tem belos ideais, lindas canções, mas talvez você não deseje e nem veja sentido em recitar mantras durante horas, embora respeite e até admire quem adota essa prática.

O fato do seu caminho ser o melhor para você não significa que ele seja melhor que os outros!

“Entrar na dimensão do espírito é um processo muito sutil, principalmente quando a mente está trancada numa visão da realidade que exclui a eternidade. A matéria, os sentidos e as coisas de interesse imediato têm tal domínio sobre os pensamentos que a própria natureza da existência torna-se distorcida. Vejo o mundo não como ele é, mas como eu sou,”, segundo Ken O’Donnell em Caminhos Para uma Consciência Mais Elevada. Essa distorção conduz frequentemente ao julgamento e exclusão.

Num outro exemplo: você tem todo direito de não gostar do som de atabaques. Prefere o silêncio como forma de buscar conexão espiritual. E até por isso mesmo, você frequenta um templo budista e não, um centro de umbanda! Ou, talvez, não elegeu uma comunidade específica, mas prefere caminhar por si só, através das leituras, das viagens e encontros… E sabe que o próprio viver cotidiano contém seus aprendizados.

Agora, o que não se pode aceitar, é criticar e até mesmo atacar o caminho escolhido pelo outro, com base em dados da aparência (superfície), sem buscar entender a essência. Absolutamente inaceitável é julgar o caráter das pessoas que seguem esse ou aquele caminho, apenas porque o seu caminho é outro e você não “gosta” daquele lá…

“A vida é uma jornada espiritual que passa pela Terra, mas não pertence à Terra. A vida é um caminho de plenificação, de encontro consigo mesmo na presença de Deus. A vida é pra gente se gostar, pra gostar do outro, pra se descobrir um pouco a cada dia, pra encontrar o que gosta de fazer e fazer com toda a alma.” Calunga disse isso no livro Felicidade é Escolha.  Então, se a alma estiver feliz e progredindo, isso é o que mais importa! E quanto menos estragarmos isso, melhor para todos.

 

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