Hoje meu marido recebeu mais um desses telefonemas que são golpes. Alguém dizendo que era sua filha e que estava machucada. Mas ele percebeu do que se tratava.

Então, um rapaz pegou o aparelho pediu dinheiro. E ouvi o Irineu conversar com essa pessoa como se fosse um pai, dizendo o que talvez esse jovem nunca tenha ouvido. “O que seus antepassados sentiriam, vendo isso?” Disse que aquilo “estava errado e que, agindo dessa forma negativa, só iria atrair mais coisas negativas para sua vida”. E ainda mais…

Durante uns minutos, o que mais me surpreendeu foi que esse jovem não desligou o telefone. Ele ficou ouvindo. O que quer que tenha pensado ou feito depois, havia um espaço de escuta ali. Um espaço para palavras de atenção paterna.

A família, sofrendo de relações esfaceladas e distraída das suas funções insubstituíveis, na vida da criança, está no cerne da questão educacional.

Pouca coisa vai melhorar na educação brasileira, se não ressignificarmos os laços familiares. Se não plantarmos, bem firmes, nossos pés no amor, na ética e no respeito.

Passar de ano sem estudar é um tipo de ilusão de sucesso que muitos pais apoiam. Depois, vem o “ter um emprego sem se dedicar. Receber um excelente salário, sem fazer o mínimo exigido pela tarefa. Tudo isso já é ilícito, perante Leis da Vida. Mas, para algumas pessoas, parece que a vida não está nem aí com o que fazemos ou deixamos de fazer, que “o que vale é se dar bem”.

Esses hábitos se espalharam pela cultura de nosso país. Os exemplos da corrupção e do enriquecimento fácil, o exibicionismo consumista nas redes sociais – a idolatria do consumo -, junto com o declínio da educação escolar, junto a pais despreparados… Tudo isso foi deixando uma marca  triste, uma impressão terrível na mentalidade de milhões de crianças e adolescentes: de que é possível ter tudo e, ao mesmo tempo, não se importar com mais nada nem ninguém. É só ir lá e ter coragem de pegar o que se quer. Passando por cima do que estiver no caminho – amizade, pessoas, Natureza, religião.

Postado em 29/01/2019.

Encontro, sim, lindas exceções à regra. Professores competentes fazendo o melhor daquelas condições que recebem e, nesses momentos, quase esquecem de como ganham pouco. Mas em todas as exceções que tenho encontrado, há um ponto comum: pais e avós sensíveis às demandas de sua função na vida familiar, pais e avós comprometidos com a ética, a valorização da cultura e principalmente, com a necessidade da presença atenta e amorosa no universo da criança.

Pais que, quando não sabem o que fazer, vão procurar ajuda e respostas. Vão à escola, não apenas para reclamar, mas para conversar e colaborar.

Filho dá trabalho e precisa de tempo com qualidade.

Nada mais triste que uma criança que já desenvolveu insensibilidade, egoísmo, futilidade, desprezo pelo próximo e pelo lugar onde vive.

Prosperar não é só ter dinheiro e coisas. A gente prospera construindo amizades, espalhando boas palavras, educando e transmitindo um legado verdadeiro. A boa colheita vem.

Mas se transigimos com nossos mais altos valores e abandonamos a tarefa da educação, traímos a nós mesmos… e isso é miséria moral, a mais dramática de todas, de frutos muito amargos.


Saiba mais sobre a palestra e o treinamento EDUCAR PARA O SUCESSO.

Publicado por ritafoelker

Filósofa, palestrante e jornalista. Escritora reconhecida nos temas: espiritualidade, inteligência emocional e educação, publica livros desde 1992. Faz palestras no Brasil e no exterior, realizando sua formação com Roberto Shinyashiki / Instituto Gente.

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