Talvez você já tenha tido essa experiência: ouvir um som desconhecido, que não sabe de onde provém. Você não sabe o que houve de fato, mas, mesmo assim, sua mente lhe envia uma imagem. E essa imagem sempre tem referência no seu passado mais ou menos distante, independente da causa real daquele som que foi ouvido, segundos atrás.

A imagem – fruto da mente e não, o fato em si – lhe traz uma sensação agradável ou desagradável, dependendo do que ela faz recordar. Se a sensação for neutra ou se você nem perceber o som, você provavelmente não tem nenhum evento anterior que possa ser relacionado a esse som, nos seus registros mentais.

Aqui já temos um ponto importante: o medo serve para proteger você, se você agir corretamente na situação, o que significa que você ouve um som que remete à visão de um perigo real, sente que precisa se defender e adota um comportamento eficaz de defesa. As artes marciais ensinam isso e criam respostas em nosso cérebro, a partir do treino e da repetição.

Defesa e ação correta

Tudo o que eu disse aqui serve para comprovar que precisamos realmente desse mecanismo de defesa, representado pela nossa emoção. Ele serve para lidar com fatos que podem representar morte, perda grave ou dano físico. Mas ele também pode criar medo de situações que não existem, exceto na nossa cabeça quando ouvimos um ruído que parece uma ameaça e já entramos em pânico, criando toda uma tragédia em nossa mente.

É por isso que, passada uma situação real de perigo, em geral, é bom ir ver do que se tratava. Para nos desimpressionarmos, isto é, para que nossa mente não nos engane e registre o fato como ocorreu e, não, como nossa mente imaginou.

Note que temos um ponto importantíssimo aqui! Porque quando a mente nos faz reagir a um perigo imaginário, que não está realmente lá, e isso nos paralisa, sem nenhum motivo real, e isso acontece de novo… e de novo… Quando isso ocorre, nós estamos falando de traumas.

Traumas nascem em momentos em que a sua vulnerabilidade fica mais evidente, em que você se sentiu mais frágil, sujeito a ferimentos e perdas.  Um acidente de carro, um sequestro. E que voltam a assombrar você, sempre que uma vaga ideia daquele perigo específico surge no seu horizonte.

Vamos então falar de mudanças, pois elas podem causar medo e acordar traumas antigos.

Use a inteligência das emoções

Morar em outra cidade. Assumir um novo relacionamento. Um novo trabalho em vista. Num primeiro momento, você percebe isso como boa oportunidade. De fato, poderia ser algo muito promissor para sua vida, felicidade e futuro. Mas, ao mesmo tempo, você também daria tudo para continuar exatamente onde está, pois fica paralisado naquele medo de mudar. E superar isso pode parecer difícil demais, desafiador mesmo.

É normal se sentir assim. E comum também. Todos podemos ter passado por mudanças difíceis. Mas note que, ao paralisar e recusar, você não está reagindo ao hoje e, sim, a uma lembrança dolorida ou sofrida.

A Inteligência Emocional vai ajudar muito, se você entender o que está sentindo, o que causou essas sensações, e se conseguir gerenciá-las, em vez de ser paralisado ou derrotado pelos fantasmas do passado.

Trata-se de, ao identificar o medo dentro de si, adotar a ação correta, como o praticante de artes marciais. Porque às vezes, nossa reação ao medo pode não ser a mais correta para uma determinada situação.  Exemplo: digamos que você ouça um estampido e pense que é um disparo de arma de fogo. Nesse caso, o mais correto, de imediato, seria deitar-se no chão ou se abrigar. Mas se você não tem referencial da melhor forma de reagir naquela situação, pode ser que você paralise – a primeira resposta física do medo.  Ou então, agindo por impulso e sem referência da melhor reação, você se levante e vá ver o que é… o que pode resultar num desastre!

Mas as mudanças não são um perigo desse tipo. Elas têm riscos, mas você não precisa se esconder delas.

Primeiro, perceba que, independente de tudo, ou apesar de tudo por que passou, você está aqui, chegou a este momento de sua existência. Você está bem, podendo criar uma vida melhor para si e para quem ama.

Note que a maior parte dos seus receios e preocupações, até hoje, não se concretizaram. O fluxo da vida lhe trouxe boas surpresas, afastou de você daquelas situações difíceis das quais não necessitava para evoluir. E trouxe aquelas que foram importantes porque oportunizaram aprendizados, amadurecimento, encontros e satisfação.

Não embarque nos movimentos da mente, quando eles caminham para as visões sombrias do passado. Fique no controle. Sintonize com seu propósito de vida e receba o que vier com confiança e gratidão. Em vez de recusar, concorde. Em vez de temer, confie em si e nos movimentos da vida. 

Você pode reagir de muitas maneiras boas ou ruins ao que a vida lhe traz, mas pode escolher a melhor, quando confia e sabe o que não precisa temer.


Image by Esther Merbt from Pixabay

Publicado por ritafoelker

Palestrante, filósofa e jornalista. Escritora reconhecida nos temas: espiritualidade, inteligência emocional e educação, publica livros desde 1992. Faz palestras no Brasil e no exterior, realizando sua formação com Roberto Shinyashiki / Instituto Gente.

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