(Este texto é parte de um livro em fase de preparação.)

Muitos de nós temos vivido como se fôssemos seres à parte dos graves problemas que nosso planeta enfrenta. Como se estivéssemos do lado de fora. E como se pudéssemos abordá-los de fora, da mesma forma que se resolve uma equação matemática: sem nos envolver.

Consideramos trânsito, preço do combustível e falta de dinheiro, desafios mais imediatos. Os problemas ambientais têm a desvantagem de parecerem estar muito distantes e de não serem só nossos. A maioria das pessoas não tem conhecimento dos efeitos terríveis que estamos sofrendo, fruto de nossas próprias ações inconsequentes. E, além disso, muitas vivem tão desconectadas da Natureza, que nem percebem a gravidade desses efeitos.

A situação, no entanto, é bem grave: somos, não apenas partes fundamentais, como os próprios causadores desses problemas.

Se você assistiu The 100 (ficção pós-apocalíptica, cinco temporadas, no Netflix; em exibição na Warner), vai entender o que estou dizendo. O ser humano, aparentemente, consegue destruir todos os lugares por onde passa.

Exploração desmedida e descaso com os danos causados são comuns. Mas a vida retorna aos locais que já não apresentam interesse político/econômico, porque não podem ser explorados. Um vídeo apresentado pelo canal National Geographic mostra que os animais selvagens estão de volta aos arredores da usina de Chernobyl, na Ucrânia. Na zona de exclusão que se estende por um raio de 30 km ao redor do reator, despovoada desde o acidente nuclear de abril de 1986, graças à ausência de seres humanos, agora vivem lobos, raposas, texugos e javalis, entre outras espécies. 70% dessa área se tornou uma floresta.  Isso demonstra que a Natureza tende a se recuperar. Na ausência de pessoas.

Na contramão seguimos nós, provocando desastres ambientais, extinção de espécies, contaminação química das fontes de água potável, degelo nos polos e glaciares…

Talvez você pense que tudo isso é uma questão para ser tratada no âmbito político e econômico, e que alguém vai dar um jeito, mas não funciona assim.

O aquecimento global, a situação dos refugiados do clima, o esgotamento e contaminação do solo retratam simplesmente a dimensão de nosso egoísmo e insensibilidade, que não se resolve por meio de leis e sanções, nem da ideologia de esquerda ou direita.

Sim, nós temos sido o maior problema desse planeta, em seu desafio titânico de sustentar a vida através da sustentabilidade da nossa Natureza, cuja dinâmica e renovação é que possibilita a própria sobrevivência da Humanidade, o futuro de nossos filhos e netos. Há um estudo sobre as mudanças climáticas que estima que nosso estilo de vida só consegue nos levar até 2050 e que, depois disso, vamos colapsar. Então, estamos realmente diante do desafio de saber que planeta vamos legar aos nossos filhos e que filhos vamos deixar em nosso planeta.

Ainda há muito que podemos fazer, sem sair de casa: separar lixo de material reciclável diariamente; fiscalizar os despejos químicos nos rios próximos; denunciar crimes ambientais, apagar luzes nos cômodos vazios.

Mas para que realmente funcione, precisamos cultivar a consciência dessa necessidade enquanto educamos nossas crianças.

Para que elas, além de ajudar a corrigir a situação que enfrentamos, não cometam os mesmos erros que nós cometemos.

E para isso, partindo de nossa própria conscientização, temos três caminhos que podem ser trilhados ao mesmo tempo e com perseverança:

  1. Sensibilização
    • Crie oportunidade para estar, com as crianças, perto da Natureza. Ajude-as a observar as plantas e pássaros, a diferença de perfume das flores e de sabor das frutas. Convide-as a fotografar com o celular, insetos e o que acharem bonito. Incentive-as a desenhar elementos da Natureza. Qual a diferença entre um rio e um lago? Entre o dia e a noite? Entre a primavera e o verão?
    • Mostre como os pets e outros mamíferos apreciam ser bem tratados, receber carinho e alimentação apropriada.  E como eles dependem de um bom lugar para sobreviver.
    • Ajude-as a observar como o lixo em locais inadequados enfeia e atrai insetos portadores de micróbios e doenças.
  2. Orientação.
    • Ensine o que fazer com o lixo de casa, para ela entender o que é e para onde vai o material reciclável, mas também o que fazer com o material orgânico. E atenção: de nada vai adiantar falar e explicar, se você mesmo(a) não tiver esses hábitos. Criança precisa de coerência, constância e reforço positivo.
    • Não permita que ela deixe lixo no ambiente ou nas ruas.
    • Apagar luzes, fechar torneiras são hábitos que precisam adquirir.
  3. Prática.
    • Reaproveite materiais. Mostre como é possível reduzir o lixo, reaproveitando embalagens para fazer brinquedos, decorações. (Em geral, é melhor destinar o material reciclável às empresas que podem convertê-los em tecidos, madeira plástica etc. Mas na atividade de criar brinquedos com os pequenos, o mais importante é eles perceberem que  não precisamos jogar tudo fora e que aquilo que seria descartado pode virar uma boneca, um carrinho, fantoches ou uma obra de arte bem criativa.)
    • Fazer hortas também é um exercício fantástico, porque ajuda a entender o desenvolvimento da vida e a necessidade de cuidar dela. Se não tiver espaço, faça uma horta vertical ou cantinho das ervas, usando garrafas PET. Procure soluções na web, você vai encontrar uma que se adapta ao seu espaço disponível.

Além disso tudo, cultive o respeito a todos os seres viventes. As criaturas que habitam esta terra em que vivemos, sejam elas seres humanos ou animais, estão aqui para contribuir, cada uma com sua maneira peculiar, para a beleza  e a prosperidade do mundo. (Dalai Lama, em Além de religião: uma ética por um mundo sem fronteiras)

O sentido mais profundo de nossa responsabilidade para com o planeta e para com a vida passa por um eixo que orienta nossas escolhas e nossas ações.

Se você tem outras sugestões para a Sensibilização, Orientação e Prática, deixe nos comentários.


Publicado por ritafoelker

Filósofa, palestrante e jornalista. Escritora reconhecida nos temas: espiritualidade, inteligência emocional e educação, publica livros desde 1992. Faz palestras no Brasil e no exterior, realizando sua formação com Roberto Shinyashiki / Instituto Gente.

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