Para que o Coringa se tornou um cara amargurado, irônico e malvado? Para que a Malévola se exilou na floresta?

Resposta: Para poder conviver com as suas opções.

Os revoltados, os vingativos e os autoexilados são seres com uma característica comum. Como diz Calunga, “são todos mimados”.

Nenhum deles está pronto para aceitar a realidade como ela é, as coisas como são. Afinal, como pode a realidade não concordar com as suas expectativas?… Eles pensam: “Se não foi como eu queria, então eu vou fazer cara feia e ficar emburrado(a)” ou “vou descontar nos outros”. E podem se tornar um desses dois tipos: ou o emburrado não-brinco-mais, ou o revoltado cheio de razão.

O emburrado não-brinco-mais é como a Malévola. Seu coração guarda um terrível ressentimento pelo que ocorreu – o roubo de suas asas. Então ela continua a re-sentir aquela perda, como se tivesse acabado de acontecer. É claro que ela tem inteligência, tem cultura, tem saúde, tem mãos e pés perfeitos, mora num lugar literalmente fantástico e ainda é uma bela mulher, mas nada disso conseguiu tirá-la do foco da sua tragédia pessoal, ocorrida muito tempo atrás.

Contudo, Malévola também guarda um sentimento verdadeiro: o Amor. E, por causa dele, ela não planeja vinganças e não é movida pela vontade de se vingar. Pelo contrário, ela se torna protetora de um reino mágico que, enquanto existir, ela se sentirá também protegida do mundo externo e daquilo que prefere ignorar. Malévola não é o tipo que dorme e acorda pensando em como destruir a felicidade do seu rival. Ela não mata, faz dormir, porque ama a princesa. Mas isso não a torna feliz, e nem pode tornar, porque ela vive do passado e, não, do presente.

O revoltado cheio de razão é o Coringa. O Coringa não somente detesta o que sofreu – cair num tanque de resíduos químicos que o deixaram desfigurado – como não aceita sua condição e crê que o Batman deve pagar por seu infortúnio. E ele mergulhou de tal modo no ódio (que o corrói e desfigura mais que ácido) que, tudo que ele faz, é para satisfazer seu impulso sádico e sociopata. O problema desse perfil, é que ele sobrevive de odiar e planejar a destruição do próximo, o Batman. Ou seja, a vida do Coringa perde o sentido, sem um oponente. Então, ele é um dependente emocional, já que a vingança se tornou sua razão de viver. Eis um fato que jamais poderia aceitar sobre si mesmo, sem fazer o caminho de volta ao Eu.

Gente, na vida real, as perdas e tragédias acontecem, mas as pessoas saudáveis se recuperam. Se reinventam. Descobrem poderes internos que até então, desconheciam. Isso se chama resiliência. Filmes sobre resiliência e jornadas vitoriosas, apesar dos percalços da vida, são muitos: À Procura da Felicidade (2006), A Teoria de Tudo (2014), Interestelar (2014), Estrelas Além do Tempo (2016), Extraordinário (2017)…

Publicado por ritafoelker

Filósofa, palestrante e jornalista. Escritora reconhecida nos temas: espiritualidade, inteligência emocional e educação, publica livros desde 1992. Faz palestras no Brasil e no exterior, realizando sua formação com Roberto Shinyashiki / Instituto Gente. Formação em Pedagogia Sistêmica pelo Instituto Hellen Vieira da Fonseca (em andamento)

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