O sentimento é aquilo que não acaba

Hoje é um dia para se refletir sobre a vida.

É Finados e ontem acompanhei minha tia ao cemitério onde estão os corpos de meus pais. Respeito o sentimento das pessoas que para ali se encaminham e se encontram com suas memórias e emoção, que oram e deixam flores.

Eu porém não tenho esse costume. Sinto uma imensa ligação com aquilo que vivi, aquilo que partilhamos – meus pais, avós e outros queridos que seguiram para um Outro Lado da Vida. Mas isso não tem nada a ver com morte, não.

Porque também tenho saudades de gente que está neste plano, da mesma forma.

Porque a morte não é uma questão de lugar, mas de frequência. Seguimos todos no mesmo Universo, apenas não conseguimos nos ver ou tocar.

Para mim, tem a ver com sentimento. Aquele mesmo sentimento que a gente deixa pra expressar depois porque está muito ocupado, ou porque nas férias, quem sabe, a gente se vê…

Sentimento, porém, é algo muito importante, para ir sendo adiado.

Falando de vida, eu me impressionei com esse vídeo. É de um casal que viveu um relacionamento muito intenso entre os anos 70 e 80 e se reencontram trinta anos depois. Então, reserve um momento pra assistir, nesse feriado.

Criança e consumismo: Atenção, armadilha para os pais!

Quem não quer satisfazer os desejos das crianças? Quem não quer vê-las sorrir com um presente ou brinquedo novo? Há tempos que o marketing sabe atingir os adultos através dos filhos. É uma armadilha difícil de evitar.

Desde muito cedo, isso leva os pais a cometerem um erro: usar seu poder aquisitivo para comprar o objeto e oferecer à criança, pensando que ela o aponta porque o quer para si. É um engano.

Os bebês, entre um ano e meio e dois anos, aprendem a associar objetos a informações e, além disso, amam se comunicar. Então, de fato, até certa idade, o bebê nem sabe que pode ter aquilo que vê na loja. Simplesmente, se um produto ou personagem na TV chamou sua atenção, ele o reconhece numa vitrine ou prateleira de supermercado e o mostra, buscando a atenção do adulto. É uma tentativa de interação.

Nós adultos, porém, já capturados na ciranda consumista, estamos programados para “ver” e “querer comprar”. Fruto uma construção cultural, absorvida da educação e do meio. E quando vemos a criança admirando uma coisa, sabendo que ela provavelmente vai ficar contente por tê-la em mãos, nós lhe oferecemos. Isso nos deixa momentaneamente satisfeitos e, também, a elas.

O que em geral não nos lembramos, contudo,  é que esse momento passa. Logo haverá outras e outras coisas, outros estímulos – uma linda flor, uma canção conhecida, uma luz piscante, encontrar um amiguinho. Mas se nós as habituamos a conseguirem de nós aquilo que querem desse modo, então, já maiores, com cinco ou seis anos, elas realmente se tornarão consumistas, convencidas de que comprar e possuir coisas é uma parte importantíssima da vida.

Assim, o adulto já programado pelo sistema é pego na armadilha e está fazendo sua parte para programar a próxima geração pois, além de perpetuar o hábito que garante lucro às empresas, ainda aprende a dar coisas e mais coisas, quando o que o filho buscava, inicialmente, era a sua atenção!

Pais e mães correm o risco de passar a infância e a adolescência dos filhos  trocando sua presença e seu carinho por objetos e dinheiro, que viram um modo de compensação por se sentirem culpados e ausentes. Ou por acharem que seus filhos têm de ter o que os filhos dos outros têm. Ou…

As necessidades básicas da criança, enquanto isso, nem sempre estão satisfeitas. Antes de qualquer objeto material, criança precisa de Deus, de amor e respeito, de autoestima, de atenção de qualidade, de valores, de bons objetivos, de conhecimento…

Victoria Beckham e a polêmica do selinho entre pais e filhos

No meio de tanta negligência e violência contra crianças, entrou em pauta ultimamente uma manifestação afetiva cada vez mais comum: o selinho entre pais e filhos. A discussão foi desencadeada pela publicação de uma foto de Victoria Beckham e sua filha Harper, de cinco anos.
Bem, existem inconvenientes relacionados à higiene e à psicologia infantil a serem considerados:
1) Beijar crianças pequenas pode transmitir bactérias e vírus (incluindo herpes) para os quais elas ainda não têm imunidade. Não é por que você não vê, ou por que a intenção é boa, que não há consequências ruins.
2) O beijo na boca é originalmente uma manifestação de carinho entre casais adultos e/ou uma carícia erótica. Algo que a criança não tem condições de entender, mas pode imitar, assim como as danças eróticas e outros comportamentos, o que é uma fonte quase certa de constrangimento para a família e confusão para ela mesma.
3) O selinho não está diretamente associado a uma intenção sexual, mas a criança pode não entender que o beijo entre os adultos é diferente. E ela pode ainda achar que, sendo normal, ela pode sair beijando coleguinhas e outras pessoas, o que também é uma possível fonte de constrangimento para a família e confusão para ela mesma. Mas também de perigo…
4) Em tempos de aumento de casos de pedofilia, afirmar que “um adulto beijar uma criança na boca não tem nada demais” é abrir uma possibilidade ou permissão, no mínimo, perigosa para a própria criança, com decorrências físicas e psicológicas inimagináveis.
Além de pensar nisso tudo, resta ainda uma boa pergunta: Até quando esse hábito deve perdurar e quando deve parar? Quem nos coloca esta questão é a psicóloga Charlotte Reznick, professora da Universidade da Califórnia em entrevista ao jornal “O Globo”. Até que idade um selinho é OK?
Sempre cabe aos pais eleger a melhor conduta perante os seus filhos, pensando no seu desenvolvimento saudável. Mas para ter clareza do que fazer, é importante ter noção de causas e consequências.

Dia das Mães: o lugar da mãe

Você pode ser uma avó em sua melhor versão, carinhosa… quituteira, até. Daquela que passou anos da sua vida com os netos, pra mãe deles poder trabalhar. Mas chega um dia em que seus netos não precisam mais do seu tempo, vão fazer outras coisas da idade deles e você para de receber visitas. Eles agora são ocupados e aparecem pra almoçar na sua casa em algumas datas convencionais do ano, assim você vê como cresceram, como mudaram, enquanto que, para eles, você parece a mesma de sempre. Em geral, não estão prestando muita atenção…

Você pode ser uma namorada ou esposa pensando que tem seu lugar seguro ao lado de um homem, até descobrir que seu marido ou namorado estava enganando você, saindo com outra. Isso faz você não saber exatamente onde está e para onde ir, pelo menos durante uns dias. Não esperava por isso, mas vai se recuperar da surpresa.

Bem, o que quero dizer é que o lugar de uma mulher não é necessariamente fixo e garantido, na relação com as outras pessoas. E isso significa que você pode se sentir meio “deslocada” ou até “perdida”, se acha que esse lugar será sempre o mesmo.

Mas o lugar da mãe parece geneticamente, familiarmente, socialmente garantido. Seus filhos são seus filhos. Da barriga ou do coração, eles se acostumaram a olhar pra você desde pequenos com alguma admiração e afeto. Eles lhe trazem cartões, telefonam, procuram por você quando precisam. Se você não “pisou na bola” com eles, eles não têm por que brigar ou parar de falar com você. E a sociedade consumista insiste em que eles lhe deem um presente num dia do ano chamado das Mães.

Agora, você já se perguntou qual lugar ocupa na vida das pessoas queridas do seu coração? Isso é relevante, porque muito do que você pensa e decide tem a ver com a resposta que encontrou.

Entenda que amo ser mãe e, mais recentemente, avó (duas vezes!). Amo estar estar casada. Amo as relações familiares e afetivas com todo meu ser. Sou otimista e tenho fé nas pessoas. Acredito em vínculos espirituais, em companheirismo e longas parcerias, em amizade e amor verdadeiros, em relações que atravessam milênios e são construídas com nossas histórias e nossos passos, nesta e na outra vida. Tais relações são belas, fazem vibrar nosso ser, recebem nossos melhores pensamentos e sentimentos.

Mas acredito que o principal em qualquer relação é saber: quem é você pra você e quem é você na relação?

O que você faz por você?

Quais são os seus limites perante as outras pessoas? (Quando alguém a desrespeita e você permite, é você que está se desrespeitando.)

O que você aceita e permite, sem abrir mão do que considera essencial na sua vida?

O que você faz por você?…

Mães, que vocês sejam muito felizes com suas escolhas, rodeadas pela família e filhos. E que essas escolhas as levem a lindos lugares. É isso que lhes desejo.

 

(Editado e republicado de Anotações Informais.)

Deus não conversa no celular

Não acho que sou “carola”, nem alienada. Mas minha vida é uma conversa permanente com Deus.

A maior parte do tempo, é Ele falando. Como a gente caminha junto, é comum que eu me distraia um pouco. Acabo perdendo uns pedaços de prosa boa e estou consciente de que é mesmo uma perda!

Eu viveria melhor, se ouvisse suas dicas, se não perdesse seus sinais.

No entanto, temos um diálogo que é contínuo, com ou sem palavras. Sem elas, conversamos na delicadeza e na força das águas, no colorido das flores, conversamos olho no olho da Paz e da ternura,que encontro no olhar do ser amado. Nas intuições e na alegria que invade meu coração, a cada manhã.

E conversamos quando ele me responde, em momentos nos quais meu viver desemboca em uma dúvida ou desafio.

Deus conversa comigo assim.

Eu sei que a gente vive num mundo de amplas possibilidades de comunicação tecnológica e útil.

Mas até onde eu entendo de celular, sei que Deus não conversa por ele. A tecnologia é alienante e artificial, quando não sabemos usá-la bem.

Fico apreensiva quando vejo crianças novinhas sabendo mais de celular que de borboletas e pássaros. Penso no que elas estão perdendo, dessa sutil conversa divina. E desejo que elas vivam para encontrar, no Criador de Todas as Coisas, uma amigo de verdade.

Quando um amigo caminha ao nosso lado, é indelicado deixá-lo falando sozinho. Ainda mais, se for pra falar no celular…

Criança e consumismo: Atenção, armadilha para os pais!

Quem não quer satisfazer os desejos das crianças? Quem não quer vê-las sorrir com um presente ou brinquedo novo? Há tempos que o marketing sabe atingir os adultos através dos filhos. É uma armadilha difícil de evitar.

Desde muito cedo, isso leva os pais a cometerem um erro: usar seu poder aquisitivo para comprar o objeto e oferecer à criança, pensando que ela o aponta porque o quer para si. É um engano.

Os bebês, entre um ano e meio e dois anos, aprendem a associar objetos a informações e, além disso, amam se comunicar. Então, de fato, até certa idade, o bebê nem sabe que pode ter aquilo que vê na loja. Simplesmente, se um produto ou personagem na TV chamou sua atenção, ele o reconhece numa vitrine ou prateleira de supermercado e o mostra, buscando a atenção do adulto. É uma tentativa de interação.

Nós adultos, porém, já capturados na ciranda consumista, estamos programados para “ver” e “querer comprar”. Fruto uma construção cultural, absorvida da educação e do meio. E quando vemos a criança admirando uma coisa, sabendo que ela provavelmente vai ficar contente por tê-la em mãos, nós lhe oferecemos. Isso nos deixa momentaneamente satisfeitos e, também, a elas.

O que em geral não nos lembramos, contudo,  é que esse momento passa. Logo haverá outras e outras coisas, outros estímulos – uma linda flor, uma canção conhecida, uma luz piscante, encontrar um amiguinho. Mas se nós as habituamos a conseguirem de nós aquilo que querem desse modo, então, já maiores, com cinco ou seis anos, elas realmente se tornarão consumistas, convencidas de que comprar e possuir coisas é uma parte importantíssima da vida.

Assim, o adulto já programado pelo sistema é pego na armadilha e está fazendo sua parte para programar a próxima geração pois, além de perpetuar o hábito que garante lucro às empresas, ainda aprende a dar coisas e mais coisas, quando o que o filho buscava, inicialmente, era a sua atenção!

Pais e mães correm o risco de passar a infância e a adolescência dos filhos  trocando sua presença e seu carinho por objetos e dinheiro, que viram um modo de compensação por se sentirem culpados e ausentes. Ou por acharem que seus filhos têm de ter o que os filhos dos outros têm. Ou…

As necessidades básicas da criança, enquanto isso, nem sempre estão satisfeitas. Antes de qualquer objeto material, criança precisa de Deus, de amor e respeito, de autoestima, de atenção de qualidade, de valores, de bons objetivos, de conhecimento…

Família: tão importante que, mesmo quando negamos, estamos afirmando de um jeito inverso

Filha para os pais, à mesa: – Assim não dá! Vocês nunca brigaram! Assim, eu fico sem referência! Conclusão do pai: – Isso é culpa da escola construtivista…

A conversa acontece em Amor Veríssimo, do GNT, uma série sobre relacionamento baseada em textos de Luís Fernando. Diálogos divertidos, coisas pra pensar com leveza.

Família, todo mundo tem. Gostando ou não, morando perto ou longe, por nascimento ou por escolha, no dia a dia ou na lembrança. E há algo de importante e profundo na família: nossas origens, nossas referências, nossos comportamentos aprendidos. Nossas ligações espirituais. E esse algo é tão forte que, mesmo quando negamos, estamos afirmando de um jeito inverso.

Mas, indo bem ou, mesmo, aos “trancos e barrancos”, quem acredita viver num Universo feito de acasos e fatos fortuitos, tende a pensar na família como uma casualidade ou um acidente de percurso. As ideias materialistas alimentam essa visão. O clássico “eu não pedi pra nascer”.

Pensando sobre isso, hoje eu creio que as maiores dificuldades de relacionamento que as famílias enfrentam vêm dessa visão rasa. Porque quem diz que não pediu pra nascer, também não pode ser responsabilizado. Sente que “caiu de paraquedas” e não tem nada a ver com aquilo ali. Não pode ser “cobrado” por suas atitudes. E, às vezes, essa sensação leva a um tipo de vida autocentrada, individualista, que vai minando as ligações familiares, mas não só isso: gerando instabilidade, discussões, distanciamento.

Família é um laço espiritual. Quando a compreensão da lei espiritual nos aponta o sentido mais amplo da convivência familiar – aprendizado e evolução -, começamos a pensar diferente e a agir diferente. Com entendimento de significados e consequências, temos outra perspectiva das dificuldades cotidianas.

Eckhart Tolle, em O Poder do Agora, nos convida a aceitar o momento presente como se o tivéssemos escolhido. Mas não é tão raro viver a família como se ela fosse um fardo, uma realidade incômoda ou, até, uma prisão. De fato, todos nascemos de um pai e uma mãe, e isso não tem como ser mudado. Nascemos num certo meio e com um corpo físico que, saudável ou não, não pode ser trocado. Se não gostamos da nossa condição e se não entendemos por que estamos naquele lugar, às vezes, pode ficar difícil aceitar e conviver com as diferenças de hábitos e opiniões. Administrar a distância entre visões de vida e as emoções confusas. Mas ainda podemos olhar melhor e ter mais sabedoria nos atos e escolhas.

Não tem receita pra ser família. Às vezes, é o caso de compor uma solução; às vezes, segurar a onda de ser você mesmo(a). Mas seja como for, sempre dá pra ser mais compreensivo, benevolente e generoso, quando somos mais espirituais que imediatistas.