O sentimento é aquilo que não acaba

Hoje é um dia para se refletir sobre a vida.

É Finados e ontem acompanhei minha tia ao cemitério onde estão os corpos de meus pais. Respeito o sentimento das pessoas que para ali se encaminham e se encontram com suas memórias e emoção, que oram e deixam flores.

Eu porém não tenho esse costume. Sinto uma imensa ligação com aquilo que vivi, aquilo que partilhamos – meus pais, avós e outros queridos que seguiram para um Outro Lado da Vida. Mas isso não tem nada a ver com morte, não.

Porque também tenho saudades de gente que está neste plano, da mesma forma.

Porque a morte não é uma questão de lugar, mas de frequência. Seguimos todos no mesmo Universo, apenas não conseguimos nos ver ou tocar.

Para mim, tem a ver com sentimento. Aquele mesmo sentimento que a gente deixa pra expressar depois porque está muito ocupado, ou porque nas férias, quem sabe, a gente se vê…

Sentimento, porém, é algo muito importante, para ir sendo adiado.

Falando de vida, eu me impressionei com esse vídeo. É de um casal que viveu um relacionamento muito intenso entre os anos 70 e 80 e se reencontram trinta anos depois. Então, reserve um momento pra assistir, nesse feriado.

Por que você atrai “pessoas erradas”?

Talvez você tenha vivido situações estressantes e difíceis em relacionamentos e seu primeiro impulso foi de apontar o erro do outro, culpar o outro por ocorrências desagradáveis, isentando a si mesmo(a). Talvez você tenha até terminado essa amizade, sociedade ou namoro, porque não desejava “pessoas assim” na sua vida.

Mais tarde, quando a poeira baixou, você repensou e os fatos acabaram tendo menos importância que no momento em que aconteceram. Um bom papo com um amigo ou amiga pode ter lhe apresentado outro ângulo da situação. Talvez o tema surgiu na terapia e você pôde olhar novamente para a velha questão, enxergar o que antes não conseguia. Houve, assim, um aprendizado.

Mas e se eu lhe disser que o aprendizado era o principal?…

Tudo funciona melhor quando se compreende que todos os relacionamentos nos ensinam alguma coisa. Todos.

E que nos ensinam especificamente sobre nós mesmos, antes de mais nada.

Um dos efeitos de se adquirir uma visão espiritual mais ampla da vida e dos relacionamentos é exatamente esse: parar de culpar somente o outro, passar a assumir sua própria responsabilidade e poder decidir – com mais consciência – a respeito do que se quer, a partir de  um grau maior de lucidez ou discernimento, sem o desmantelo das emoções à flor da pele, sem tanta raiva ou mágoa e sem a ignorância das leis da vida. Quando se começa a observar: O que é que me deixa contrariado? O que me incomoda? E como fico, quando sou contrariado? Ser assim me faz bem ou não?…

Talvez você viva se envolvendo com pessoas que sugam você. Que enganam você. Que não levam você a sério. Que se aproveitam de você. Mas qual é a sua parte, nisso? Onde você é sugável, enganável, aproveitável etc.?

Nós nos aproximamos uns dos outros para evoluir individualmente e coletivamente. Não há vítimas, não há culpados. Você vibra na frequência dos seus pensamentos, ações, emoções e sentimentos. E atrai pessoas na mesma frequência.

A vida está lhe mostrando algo em você, através do outro.

Quando um relacionamento parou de ser bom, não quer dizer que acabou. Será que você parou de aprender ou desistiu de tentar? Será que percebeu que realmente não está valendo a pena, que não dava pra seguir adiante porque está se machucando muito ou machucando o outro?

Mesmo em casos assim, há sempre algo a ser curado, nas suas emoções difíceis, quer a relação siga adiante ou não. Só assim você vai recuperar a paz: quando liberar os ressentimentos e parar de culpar somente o outro pelo que deu errado.

Tudo que está em sua vida é um reflexo da sua necessidade, da sua dificuldade. Representa um momento de aprendizado específico que vai perdurando ou se repetindo, enquanto você não absorver o ensinamento.

Mas também reflete sua força e leveza internas. Seu progresso e crescimento como pessoa e sua caminhada espiritual. Talvez você esteja fechado, reclamando, esperando aparecer alguém especial e maravilhoso pra você se dar uma nova oportunidade. Mas não é assim que funciona: a nova oportunidade – oportunidade de verdade! – surge quando você realiza transformações interiores reais e atrai novas situações para o seu cotidiano.

 

As palavras valem os gestos que as confirmam

Palavras são grupos de letras que podem ser decifradas por quem sabe ler. Uma vez pronunciadas seguindo certas regras, ganham um som específico e podem ser reconhecidas por quem ouve. Palavras não são o que elas significam. Mas elas valem o que significam.

Existe, claro, o lado objetivo e subjetivo do significado. O que uma palavra significa no dicionário e o que ela significa para mim. Às vezes, alguém ouve uma palavra e entende o que ela significa para si. Mas quem disse, expressou o que significa para ele ou ela. Isso pode dar confusão.

O que nos ajuda um tanto é que… bem, as palavras também são mais que códigos falados ou escritos. Elas têm uma força de origem, uma entonação e uma intenção.

Um mito da Criação diz que o Verbo criou o mundo. Então, a palavra, além de sinal, é expressão e essa expressão tem a força da verdade de que é portadora, a força da coragem, a força de doçura e de vontade que é manifestada, seja ela a declaração mais íntima ou a postulação mais universal.

E pode vir cunhada de sentimento real ou carregar o selo da fraude. Exprimir genialidade ou ignorância. Exprimir amor ou egoísmo.

Por isso, palavras trocadas entre as pessoas adquirem o valor e o significado de tudo que elas afirmam também em atitudes, gestos, hábitos e biografia. Nesse sentido, elas podem valer nada, valer pouco, muito ou valer tudo.

(Republicado de Anotações Informais.)

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Imagem: what-buddha-said.net