Propaganda: quem manda no meu desejo?*

Já escrevi aqui sobre o que nos motiva a fazer o que é certo. Agora, quero escrever sobre algo que nos motiva a fazer potencialmente qualquer coisa!

Você assiste a um comercial de carro ou vê uma foto, muito boa, de uns brigadeiros. Isso pode mexer com você de um modo especial. Ativa um estado de tensão chamado DESEJO.

Quando o sentimos, ele parece puro e primário. Afinal, nasceu dentro de nós. Mas aquilo que desejamos recebe grande influência do meio, das mídias, que têm um efeito poderoso sobre o que sentimos e como nos comportamos.

Exemplo: Por que pagar milhões à Fátima Bernardes, pra falar sobre presunto? Porque ela é bonita, simpática e tem credibilidade. Sendo assim, estamos predispostos a acreditar no que ela diz ou mostra. Quando estivermos diante do balcão de frios do supermercado, há boa chance de nos lembrarmos disso e levar o presunto da marca anunciada por ela.

Por isso a propaganda sempre busca se associar às nossas crenças positivas, aos nossos sonhos e aspirações. Para obter de nós uma ação específica: pagar para ter aquele produto.

Mas nem tudo que desejamos pode ser comprado. Sempre podemos desejar coisas que serão ótimas para nós, que nos ajudarão e que, talvez até, beneficiem muitas outras pessoas. E podemos desejar coisas que nos arrastam para dificuldades, doenças e sofrimento. Quer dizer que o desejo pode ser um caminho ou uma cilada.

E a melhor forma de lidar com isso é saber querer – embora as decisões cotidianas, por mais conscientes que sejam, não tenham como ser absolutamente garantidas. Afinal, errar e acertar fazem parte do processo evolutivo da alma.

O que nos ajuda a acertar mais e errar menos? Ampliar a compreensão da realidade e refletir sobre nossos desejos e as suas possíveis consequências. Talvez tenhamos nos acostumado a agir sempre obedecendo – a uma religião, uma ordem materna, uma tradição, um impulso – sem analisar. E talvez isso tenha embotado nossa clareza de pensamento, nossa lucidez. Mas nosso poder de discernir melhora com o exercício e, principalmente, quando estamos espiritualmente conectados.

Podemos pensar que o desejo é ruim, por vir de uma falta. Mas se o vemos como força interior que nos impulsiona para nosso melhor, ele é realmente algo pra se dar valor e aproveitar. Assim como a necessidade, a curiosidade. Apenas tenha bem claro, quem manda nele.

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* Durante o mês de julho,  você poderá rever alguns posts do blog Vidas Inteligentes. Retomaremos as publicações inéditas em agosto.

4 maneiras de você se boicotar na vida*

Quase sempre, inicio o dia pensando em qualidades espirituais que desejo adquirir e que possa exercitar, no decorrer das horas. Foi assim que nasceu o livro Comece Bem o Seu dia!. A intenção desse pensamento é fazer algo de bom pela minha felicidade real e evolução, o que sempre inclui os seres em volta e o ambiente em que vivo.

Mas às vezes, é também necessário olhar para aquilo que nos limita. Que nos desafia. Ou que nos aprisiona. Os hábitos infelizes, os pensamentos mesquinhos. As emoções difíceis. As reações que temos e de que, geralmente, nos arrependemos.

É importante observar o que necessitamos transformar em nós e assumir a responsabilidade de fazer as transformações internas indispensáveis, escolher atitudes diferentes. Fazer isto para seguir tropeçando e caindo, cada dia, menos. Assim, facilitamos nossa jornada.

Então, aqui vão 4 formas que talvez você venha usando pra se boicotar, porque são muito comuns:

 

1. Culpar os outros pelas suas dificuldades. Procurar culpados pode aliviar você momentaneamente, ajuda a se sentir livre de responsabilidade. Mas de fato, esta é uma escolha que nos aprisiona e imobiliza, pois se a causa está no outro… o que é que se pode fazer?

Esse boicote é uma armadilha do Ego, pra não assumir a responsabilidade pelo que fez. O Ego faz uma falsa interpretação dos acontecimentos, eximindo-se de assumir sua parcela de contribuição para o que ocorreu.

Mas não há problema ou sofrimento imerecido. A lei divina nos retorna sempre aquilo que oferecemos. Cada problema é uma oportunidade de aprendizado. Cada sofrimento é uma oportunidade de cura e fortalecimento.

justica

 

2. Focar na falta. Este hábito mental nos torna negativos e reclamões. De fato, cada ser está diante da sua melhor condição de progresso espiritual, a todo momento. E olhar somente para a dificuldade costuma nos cegar para todas as possibilidades e auxílios.

Quando fazemos isto, nem mesmo os amigos espirituais têm com nos oferecer boas inspirações, pois estamos na sintonia da irritação e da ingratidão, não na sintonia do Bem.

gratidao

 

3. Aumentar os problemas, em tamanho e em quantidade. Nossos maus hábitos mentais tendem a agravar as situações, enxergar dificuldades e alimentar preocupações que não têm fundamento real.

Desocupar este espaço mental permite abrir caminho para as soluções e auxílios que não enxergamos, enquanto nosso campo de visão é tomado pelos problemas. É preciso transcender um problema, para resolvê-lo, o que implica enxergá-lo no seu verdadeiro tamanho e, não, acrescido de nossos receios e complexos de inferioridade.

experiencia

 

4. Apegar-se ao passado. É comum que experiências ruins do passado se gravem em nossa mente subconsciente e nos façam olhar com desânimo, pessimismo e/ou desconfiança para as oportunidades presentes. Isso reflete a falta de fé no que a vida tem para oferecer e na falta de fé em si mesmo, em sua capacidade de hoje lidar melhor com situações que já experimentou num outro momento.

confianca

 

Quando há problemas e situações desagradáveis que se repetem, é sua condição de superação que a Lei da Vida já está identificando em você, embora você ainda não tenha se dado conta.

Lembre-se de que muitas tarefas fáceis de agora foram árduos desafios de outros tempos. Mas evoluímos, desde então! Como já sabemos realizá-las, nem percebemos quando surgem. É como se as considerássemos previamente resolvidas.

Os grandes desafios presentes, por outro lado, são aqueles que nos levam à fronteira de nós mesmos. E olhar para o desconhecido nos assusta. O aprendizado, então, vem como uma recompensa para a confiança em si e ainda resolve todos os nossos problemas semelhantes, presentes e futuros! Pois na escola que as almas encarnadas frequentam, lição aprendida é lição incorporada.

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“Seguir o fluxo” ou “nadar contra a corrente”?*

Seguir o fluxo. Nadar contra a corrente. Eu já ouvi as pessoas defendendo as duas coisas.

Em “nadar contra a corrente” parece haver algo de heroico, uma afirmação da vontade, que aumenta a satisfação de realizar o que se deseja. Superar as circunstâncias adversas.

Em “seguir o fluxo” parece haver sabedoria, tranquilidade, aceitação e percepção de que as coisas precisam amadurecer para frutificar.

Eu não tenho dúvida de que há um fluxo, um momento propício para cada coisa acontecer e que isto está além da minha possibilidade de determinação e controle.

Por outro lado, embora não acredite em “nadar contra a corrente” das leis universais, sei que tenho muito que superar – as minhas fragilidades, os meus traumas.

E que as circunstâncias aparentemente tentam me refrear, podendo levar a pensar que devo lutar contra elas. Mas que também, como disse Osho: “Aqueles fortes ventos que batem firme não são realmente inimigos. Eles ajudam você a integrar-se. Parece até que vão desenraizá-lo, mas, ao lutar com eles, você se enraíza.”

Ora, preciso me fortalecer. Por isso, sei que, se não reafirmar sempre aquilo que quero, que é meu ideal, se deixar simplesmente “rolar”, provavelmente vou me desconcentrar, perder-me nos meus labirintos internos, deixando passar oportunidades, ignorando as inspirações e intuições. Não se trata, porém, de lutar contra as circunstâncias e, sim, de compreendê-las, ver além delas.

Alterá-las, se for o caso,

Seguir o fluxo também é diferente de abandonar-se à correnteza, de largar tudo e apenas esperar. Entendo que a determinação e o foco precisam existir, sobretudo quando não parece muito claro que tudo está fluindo para o seu melhor e para a minha melhoria – porque está, mesmo que ignoremos. Neste planeta onde vivemos no espaço-tempo, as coisas podem ter alguma demora. Então foco, atenção e determinação tornam-se importantíssimos, assim como a sinceridade no desejo de automelhoria.

Eis onde entram o semear e o colher. Se todos os dias plantarmos uma semente na forma de ato, palavra ou pensamento, em favor daquilo que esperamos realizar, a colheita chegará. E isto, sendo determinação, foco, atenção (e também autossuperação, em muitos casos), não significa nadar contra a corrente das leis universais. Significa enxergar além das circunstâncias visíveis e realizar os ajustes necessários, primeiro em nós, depois em torno de nós. Significa depositar nossa fé no fluxo da vida lembrando, como diz Aymará, que a energia se move em círculos.

Eis onde entra a confiança. Se permanecermos serenos (se conseguirmos isso) vamos perceber que, em determinado ponto, parece que os acontecimentos se apressam, o vento enfuna a vela e tudo se encaixa de um modo que, às vezes, sequer imaginamos e de um jeito muito melhor do que poderíamos supor.

Só não se esqueça de que há atitudes que, quando as adotamos, são como “fechar a torneira”. Mas isso fica, talvez, para outro texto…

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Chateação!

Desde os anos 1980, nós passamos a ter  uma percepção diferente do nosso mundo emocional, que ficou ao alcance de nossas consciência e de nossas escolhas. Mas talvez a gente ainda viva como se fosse controlado pelas nossas emoções e, não, como se tivesse o controle delas.

Todos nós podemos ter momentos de irritação e mau humor. Muitas vezes, ocorrem tantas coisas desagradáveis e frustrantes em curto período de tempo, que as irritações se emendam. Como quando já chegamos atrasados por causa do trânsito, mas também tivemos dificuldade para estacionar e percebemos que a reunião também está atrasada e isso é bom porque não perdemos nada, mas  vai complicar para buscar as crianças na escola…

Agora, às vezes, uma única chateação previsível, que nos permitimos sentir e reclamar mentalmente, espalha-se pelas outras coisas que vamos fazer e vai minando a alegria de muitas horas.

O que quero pontuar aqui é: se há dificuldade em lidar com emoções repentinas, é porque não estamos preparados. Então, por que é que a gente não se prepara para as emoções que já são esperadas? Como no caso em que eu sei que vou a um local e vou ter que tratar de um assunto chato. Se eu sei que posso me chatear, muito me ajuda se lidar com isso antes. Fazer isso evita tanto desgaste, tanta perda de tempo e energia, tanto pensamento que absolutamente não melhora nossa vida em nada!!!

 

A Educação Emocional é importante, primeiro, para reconhecer a emoção que estamos experimentando; segundo, para fazer algo a respeito antes que uma emoção negativa nos tire do equilíbrio e bem estar; terceiro, para podermos escolher conscientemente como vamos nos sentir e agir com o que vai acontecer.

Minha dica para hoje, então, é: comece a observar se o mau humor e a chateação não estão se tornando o seu estado cotidiano normal. Se tudo não acaba virando motivo. Se sua vida está se transformando numa grande e interminável chateação.

Existe um problema real, que pode e precisa ser diagnosticado, um transtorno de humor chamado distimia, que se caracteriza principalmente pela falta de prazer na vida, pela incapacidade de se divertir e pela constante negatividade relacionada aos acontecimentos em geral. A distimia é considerada um tipo de depressão e tem tratamento.

Mas antes de começar a usar isso como desculpa ou justificativa pra viver emburrado ou emburrada, é bem melhor se predispor a fazer algo a respeito.

Mesmo quando acorda pela manhã desejando um dia leve e gostoso, você às vezes sabe que algo que terá que fazer é uma fonte certa de aborrecimento. É sábado de manhã e você precisa ir ao mercado, mesmo que esteja lotado e que tenha que andar desviando e pedindo licença pra todo mundo, mesmo que encare aquela fila imensa no caixa. Ou vai mexer com o universo da informática, vai fazer coisas que disseram que seriam fáceis no computador, mas não dá tão certo quanto disseram. “Em cinco minutos você resolve isso!” Você faz do jeitinho que explicaram, mas logo percebe que está ali há mais de uma hora e ainda não resolveu o que precisava.

Bom, você sabia que ia ter algo chato ou aborrecido pela frente, não é? Então a grande pergunta é: se você já sabia, por que é que você deixou acontecer? Se sabia que podia se irritar, por que se permitiu ficar irritado?

Emoções são reações instantâneas, pré-racionais. Mas se você já pôde pensar a respeito, já podia também ter desenvolvido uma estratégia. Quando eu vou para uma atividade desse tipo, por exemplo, eu já saio de casa consciente de que vou precisar de paciência e de boa vontade. Já me programo para ser calma e tratar bem as pessoas. Mesmo que na hora perca a vontade de fazer isso, vou ficar firme . Se souber que vou ter que esperar, se for uma consulta médica ou um atendimento na agência bancária, levo um livro pra ler. Está fácil fazer isso, com os ebooks que a gente carrega no celular.

Nem tudo que acontece se explica ou justifica, sejam comportamentos de outros, sejam as circunstâncias. Mas a aceitação é um movimento interno que melhora, torna leve e menor qualquer dificuldade. Não aja como se você fosse a vítima. Há muito a se fazer a respeito. Respire, observe, aprenda. Mesmo se acabar a energia elétrica e você precisar subir 14 andares pela escada, OK?…

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“Não se irrite. Sorria.”

Você também vê muita gente irritada por aí, na TV, no transporte coletivo, nas ruas? Tem pessoas que são habitualmente muito irritadas e irritáveis pelos mais leves motivos. Reagem com irritação às mais diversas situações cotidianas, naquilo que postam nas redes sociais, no jeito como se dirigem aos outros que, eventualmente, estão vendo pela primeira vez nesta encarnação!

Uma das características das emoções é que elas são instantâneas, elas afloram antes de qualquer pensamento, antes de estarmos conscientes delas para poder decidir o que fazer a respeito. Há duas coisas que podemos fazer.  A primeira delas é nos tornarmos conscientes de sua presença constante em nossas vidas e assumir atitudes íntimas prévias, preparando-nos para exercer o autodomínio. A segunda é ir adquirindo reações melhores, baseadas numa compreensão mais profunda da vida e dos momentos, melhorando nossos sentimentos pelas pessoas, de modo a aprimorar nossas atitudes. Há uma conhecida mensagem de André Luiz, por Chico Xavier, que nos convida a não nos irritarmos, porém, sorrir, auxiliar, amparar, que é uma aplicação clara e simples da segunda possibilidade.

Pense nos seus momentos de irritação.

Irritação é uma reação de raiva.

A raiva é uma emoção muito útil que existe para funcionar como defesa contra perigos. Mas a nossa cabeça enxerga perigos onde não estão e se irrita com fatos e pessoas.

Fatos que poderia aceitar.

Pessoas que poderia compreender, que poderia olhar com gentileza e bondade.

Quando você se irrita, você está negando ao outro o direito de ser. Você se irrita porque percebe sua incapacidade de controlar alguma situação ou pessoa e não consegue admitir isso.

Numa situação de perigo real, a raiva se traduz em “ou você, ou eu”. Suponha que você seja atacado(a) por um urso. É uma típica situação “ou você, ou eu”.

Mas nem tudo que nos irrita é realmente uma situação “ou você, ou eu”. Em geral, quem se sente ameaçado, na vida social, é o Ego. Então nós transferimos este padrão de funcionamento para nossa vida diária, para nossa família, para nosso trabalho.

De fato, seria mais sábio se aprendêssemos a reconhecer o que de fato nos ameaça. Espiritualmente, a ameaça não existe, porque todos somos seres divinos e imortais.

Aceite a vida, esteja ela como estiver no presente, como uma chance de conexão profunda consigo mesmo(a), enquanto encontra as vidas próximas, compartilha e auxilia; enquanto todas se elevam em entendimento, amor e capacidade de doação.

Atenção às “rasteiras energéticas”

Somos consciências que modificam e qualificam a energia sutil em que vivem e que espalham nos seus ambientes.

Absorvemos e liberamos energia por meio dos chamados chakras, ou centros de energia. A quantidade e qualidade da energia de cada centro tem características particulares. Não vou detalhar aqui, mas você pode ler mais sobre os chakras, se desejar.

Acontece que essa atividade toda é algo que normalmente a gente não percebe, exceto se colocar atenção.

Emoções, por exemplo, que fazem abraçar ou chorar, que geram pensamentos e estados vibracionais, são energia. Você acorda alegre e se sente cheio(a) de vida, de vontade de fazer coisas? Ou acorda com mau humor e preguiça, pensando só em continuar na cama?

Parece pouco, mas não é. Seu dia e seus afazeres se transformam, dependendo da energia que você coloca neles.

Mas onde está essa energia?

Bem, o Universo é composto de três elementos fundamentais: Deus, inteligência e energia. Na filosofia espírita, encontramos a tríade: Deus, espírito e matéria. Os significados correspondem entre si. Ou, seja, existe um Criador (Deus, Inteligência Suprema) e uma Criação, que se constitui de inteligências em evolução e de matéria nos mais diversos estados. Dentre esses estados, no cotidiano, vivemos em contato direto com um tipo de matéria que compõe os corpos sólidos, os líquidos e gases que nos cercam, mas nem sempre nos lembramos da matéria que não vemos e do quando ela nos afeta.

Auto-observação, portanto, é o ponto de partida para entender e cuidar da sua energia, que influencia todos os aspectos do seu cotidiano: vida pessoal, família, relacionamentos, profissão.

A qualidade da energia que compartilhamos e absorvemos depende diretamente de nossos pensamentos, emoções predominantes e moralidade. Algumas atitudes e impulsos melhoram nosso estado geral, elevando nossa energia, ampliando a disposição e a saúde. Eles elevam a qualidade das energias que liberamos e, ao mesmo tempo, das que absorvemos.

Mas como geralmente estamos inconscientes do que acontece com a energia em nós e ao redor de nós – estamos invigilantes -, podemos facilmente cair em verdadeiras “rasteiras energéticas”: situações que nos irritam, que despertam o cinismo, a ira ou o desespero. As respostas emocionais, sendo imediatas, afloram antes de estarmos conscientes delas. Isso faz  baixar a qualidade de nossa energia, aproximando-nos de vibrações difíceis, densas e confusas. É como sair da lagoa de água potável e cair numa poça de lama.

Isso leva você para a sintonia com as situações e inteligências semelhantes, encarnadas e desencarnadas. Mas se tiver um entendimento espiritual das situações e estiver consciente disso, você mesmo pode elevar o padrão de seus pensamentos e emoções, protegendo-se de consequências, semeando uma atmosfera leve e luminosa em torno de si.

Vê se não força, tá?

A existência tem um lindo e perfeito funcionamento. Ciclos que começam e terminam, tempo que passa. Transformações internas e externas.

Nada é para ser forçado. As flores não se forçam a florescer. O vento não se força a ventar. Mas as pessoas às vezes se forçam, seja para agradar os outros, seja para atender ao próprio orgulho.

Tudo o que é forçado acaba nos ferindo. E escravizando, porque não estamos à vontade: estamos nos forçando.

Às vezes, nos forçamos a ser bonzinhos. E negamos a raiva que vai se depositando no fundo do pote. Não gostamos da raiva, queremos reprimi-la, como nos ensinaram. Mas a raiva é uma reação de sobrevivência, que podíamos entender e utilizar na manutenção do nosso equilíbrio interno.

Sufocada, ela um dia explode e nos faz destruir as peças. Se o quebra-cabeça somos nós, nos quebramos. Destruímos relacionamentos. Criamos motivos para arrependimentos.

Quebrar-se, contudo, é destruir a própria integridade. É perder seus pedaços na confusão emocional. É sair do eixo, privar-se momentaneamente do sentido de direção.

A foto é de um de meus quebra-cabeças prediletos. Ele é muito engenhoso e só tem um jeito de conseguir encaixar, que você precisa descobrir. A solução tem a ver com raciocínio, geometria e habilidade manual.

Mas uma das peças está lascada. Alguém perdeu a paciência, ou não se conformou por não encontrar a resposta e momentaneamente acreditou mais na força. Não interessa, o fato é que forçou a natureza, até quebrar…

Desejo entender os ciclos da vida e sintonizar-me com eles. Perceber o que sinto e ser fiel ao que considero verdadeiro e elevado. Só assim, posso encontrar harmonia e expandir coisas boas, como amor, gratidão e saúde.

(Republicado de Anotações Informais)

Liberte-se das prisões mentais

Às vezes, ficamos preocupados com coisas desimportantes. Aceitamos a pressão de sermos sempre alegres e comunicativos, quando precisaríamos de tempo e silêncio.

Às vezes, analisamos tudo em termos de elogio ou crítica, popularidade ou anonimato, ganho ou perda e em termos de status adquirido ou perdido. E isso cria uma terrível exigência nossa, para nós mesmos(as). Estamos presos.

Moramos numa casa maior, num bairro mais caro, mas não percebemos que perdemos qualidade de sono e de vida. Isso ocorre porque, enquanto pensamos fazer o que é melhor, vamos nos esquecendo de observar o que sentimos a respeito.

Desejo que todos se sintam livres dessas prisões mentais e de análises que polarizam o assuntos em lados positivos e negativos. Um acontecimento só tem sentido dentro do contexto em que ocorre. O que parece uma perda, quando isolado, pode ser um ganho, quando observamos o todo da situação. Assim sendo…

Que as incertezas sejam aceitas como tempo de aguardar e refletir.

Que a sensibilidade espiritual nos aponte caminhos mais serenos.

Que as respostas necessárias cheguem com o toque de inspirações superiores.

Que nada nos tire a vontade de sorrir e de sermos gentis. Que saibamos aproveitar as oportunidades de sermos úteis e auxiliar, porque ninguém está nesta vida sozinho, mesmo quando crê estar.

Tempestade à vista? Abrigue-se na sua Paz.

As coisas estão indo muito depressa? É a sua ilusão de controle desabando.

Encontre uma ilha ou barco seguro, no seu interior. Abra espaço para que as boas inspirações sejam claras e límpidas. A Bondade Divina jamais nos deixa sós, perante a adversidade.

Confie. E enquanto a confiança existe ou está se se fortalecendo, fique bem.

Desejo que sonhemos de olhos fechados com tudo o que nossa alma deseja, mas que realizemos nossos sonhos como Seres despertos para a realidade do que somos e necessitamos. Sem grades de ilusão.

Pensamentos que roubam energia

Altos e baixos. Nossa faixa comum de evolução terrena está sempre sujeita a isso. Um dia você se sente espetacular, capaz, inteligente, acredita que tudo dá certo – ou acaba dando certo, no final. Fica leve, generoso(a), articulado(a). Noutro dia se preocupa, sente-se tolo e incapaz e é invadido por pensamentos de derrota e infelicidade, fecha a cara, tarefas não lhe trazem satisfação, preocupa-se e reclama de tudo.

Todos transitamos entre tipos de pensamento que geram emoções, criam padrões em nossas vidas e realmente definem o tipo de vida que vivemos. E isso tem consequência, não somente no estado psicológico, mas na nossa própria biologia, no funcionamento das nossas células e no ambiente em que estamos.

Calunga fala muito sobre isso. Deepak Chopra também. Se nossos padrões são produzidos a partir do medo e do ódio, eles distorcem não somente nossa visão da realidade, mas também impedem o contato com a harmonia da Natureza e do Universo. Eles se tornam casulos de mal estar, desequilíbrio e enfermidade.

A gente costuma pensar que são os outros que roubam a nossa energia. Mas o fato é que eles só fazem isso porque nosso jeito de pensar e de ser permitem.

Não temos, contudo, como excluir os pensamentos de nossas vidas. Podemos espaçá-los ou suspendê-los por um tempo, durante a meditação, mas eles compõem a natureza da mente. E, mais que isso, constituem um poder, um instrumento da inteligência e da criatividade, que é preciso aprender a conhecer e usar.

Uma das maneiras de sabotar esse poder está exatamente nas nossas crenças limitantes, nas crenças que conflitam com a realidade das leis universais. Fazemos isso porque temos uma mente racional que funciona separando pedaços da realidade e buscando explicá-los e, quer nossas explicações sejam verdadeiras ou falsas, nós lhes concedemos energia conforme lhes damos atenção e credibilidade. Assim, ora nos vemos como vítimas, ora como donos da verdade etc., e cada um desses pensamentos enganosos pesam sobre nós e nos distraem de nosso real propósito de existência.

Crenças falsas e limitantes, portanto, são pensamentos-ladrões de nossa energia. Enquanto foca neles, você se identifica com eles e se desgasta, adoece, paralisa seu desenvolvimento em diversas áreas. Mas quando você descobre seu poder de transformar seus pensamentos e passa a utilizá-lo, nota que ele de fato é tão simples, que já funciona mesmo quando você o desconhece. E é quando a borboleta sai do casulo e descobre que pode voar.

 

A prisão do comodismo

A maior parte das coisas realmente legais só acontece quando a gente corre atrás. Mas correr atrás não significa afobar-se, meter os pés pelas mãos, nem perder o melhor da vida.

Há, sim, esforço, cansaço, possibilidade de desilusão. Mas há surpresas, colheita de ensinamentos e alegria, também. Afinal, é preciso subir o morro para apreciar a vista. Mas tem pessoas que nunca experimentam isso. Elas vivem numa prisão mental chamada comodismo.

Vivemos numa cultura em que ter alguém pra fazer as coisas para si é sinal de status. E isso se confunde, muitas vezes, com poder ter uma boa vida. Quem cresceu em famílias superprotetoras, também se habituou a um tipo de sensação de segurança que pressupõe jamais sair do terreno conhecido.

Repetir os passos dos pais. Fazer o que todo mundo faz. Tudo isso parece um caminho garantido de felicidade. No entanto, isso não os deixa felizes de fato ou traz sensação de realização – apenas cria e sustenta uma atitude interna de conformismo.

Surgem momentos na vida, porém, que representam oportunidades de crescimento e mudança, e são esses momentos que realmente nos fazem sentir vivos, com energia renovada. Correr riscos, mudar de emprego, mudar de cidade, iniciar um novo relacionamento.

Há, então, duas possibilidades: ou assumimos incerteza quanto às circunstâncias, abraçando a confiança em nós mesmos, ou nos apegamos ao estabelecido e reforçamos a prisão em torno de nós, mesmo desmotivados, seguindo a rotina e os velhos hábitos.

Mas não se esqueça de que o comodista também, evitando assumir a responsabilidade de fazer o que sonha ou almeja, renuncia ao que lhe trará real satisfação de viver. Vai tentando ignorar que a gente nasceu pra crescer, amar, evoluir e ser feliz.

Só que não tem jeito de ficar assim pra sempre. Como diz Calunga: