A impessoalidade do exercício mediúnico*

Por Werneck (Esp.)/Rita Foelker

Quando procuramos um médium, não procuramos por ser Rita, Maria ou José. Buscamos determinadas qualidades que tornam o médium mais apto à tarefa que se apresenta. Buscamos, entre os médiuns da mesa, o perfil mais apropriado. Servimo-nos daquele que melhor se adapta à necessidade do momento.

Neste sentido é que dizemos que as ligações mediúnicas mais saudáveis são impessoais.

Se nos ligamos afetivamente aos médiuns com que trabalhamos? Claro! Mas não lhe somos exclusivos, nem ele o é para nós, e não hesitaremos em buscar outro medianeiro mais qualificado para um mister diferente, se esta providência se mostrar cabível.

Espíritos que se ligam aos médiuns por motivos pessoais existem, e não são poucos. Haja vista, toda a gama dos obsessores e subjugadores. Também as afinidades estabelecidas em existências anteriores poderão facilitar o contato com estas criaturas. Mas o bom médium não vive de ligações pessoais com almas familiares ou simpáticas. Ele busca, no estudo e autoconhecimento aliados à humildade, a possibilidade de ser mais útil a uma variedade maior de Espíritos e eficiente numa diversidade de situações.

Aliás, se fazemos alguma distinção com relação aos médiuns é no que tange ao desenvolvimento destas virtudes:

  • o estudo sincero e o empenho real em aprender sobre a mediunidade e as leis espirituais;
  • o conhecimento de si mesmo que diminui a possibilidade de ser enganado por suas próprias fraquezas;
  • a humildade, que evita interferências personalistas do orgulho e da vaidade.

Se existe um médium para preferirmos exclusivamente como instrumento e, não, como ser humano, é este.

Acostume-se, portanto, o médium a não tomar como pessoais as ligações que se estabelecem na reunião, a não se tornar defensor ou acusador da criatura necessitada que o procura para fins de reajustamento íntimo, nem se considere agraciado pela chance de ser intermediário de palavras sublimes.

A prudência pede que se abstenha de comentários que denunciem preferências ou antipatias por esta ou aquela entidade comunicante. O amor abraçará a todos, na medida em que aumentar dentro de nós.

Entregar-se ao serviço mediúnico com bondade e sem acúmulo de expectativas sobre o próprio desempenho e sobre as comunicações recebidas é a melhor maneira de não se ver surpreendido, mais tarde, pela fileira dos equívocos de julgamento.

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Quando, na sua tarefa habitual, o médium consegue igualmente se desprender de suas exigências e maneirismos pessoais, quando consegue relevar seu desejo de atender somente a determinada faixa de Espíritos em benefício da experimentação e do socorro às criaturas em sofrimento, torna-se facilitador do próprio aprendizado e desenvolvimento.

Quando, ao contrário, fecha-se no limite de mimos e idiossincrasias é ele, mais que qualquer outro, quem perde a oportunidade da lição presente na experiência.

No silêncio de sua alma, cada um sabe o que pode ou não fazer com sua faculdade sem prejudicar a saúde física e emocional. Que ninguém se prejudique com o pretexto de servir, e recorra aos Espíritos orientadores para esclarecer-se e assegurar-se do que é apropriado a cada momento. Mas também, que ninguém se negue a possibilidade de tentar algo novo, por preconceitos ou receios sem maior justificativa que os próprios preconceitos.

Que ninguém busque os louros da glória entre os homens, porque no ponto mais alto do exercício mediúnico encontram-se a abnegação e o desinteresse.

Entender a mediunidade como a moeda recebida em confiança na parábola dos talentos; aplicá-la, não exclusivamente segundo nossos gostos, mas segundo as necessidades da vida; investi-la sem medo, mas com bom senso, e sem distribuição indiscriminada dos seus bens, tudo isto são responsabilidades de todo bom médium.

Unicamente o discernimento e a humildade conferem parâmetros seguros a este exercício, discernimento e humildade que não podem conviver com o personalismo.
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* Esta comunicação foi publicada originalmente no Jornal do CEM – Ano V – Edição nº9 – Fevereiro de 2002

Todos somos médiuns e mediunidade não é um dom

Mediunidade é uma capacidade natural de todos os seres humanos. E algumas vezes, ela se manifesta de um jeito tão sutil, tão suave, participa de nossa vida tão naturalmente, que nem percebemos que ela está atuando, na forma de um pensamento confortador em momento de crise, de uma inspiração na hora de resolver uma dificuldade, num toque que cura ou alivia; ela às vezes surge com uma palavra de sabedoria ou com o reconhecimento da beleza e perfeição de um momento comum da existência.  Nesses casos, não a percebemos como sensibilidade mediúnica, mas acreditamos que seja uma simples ocorrência cotidiana muito feliz.

Para muitas e muitas pessoas, a manifestação da mediunidade em algum momento da vida na Terra será um meio de despertamento para a realidade espiritual. Para que elas ampliem seu campo de visão para além das questões terrenas e abracem um caminho de prática e aprendizados.

É comum, porém, ouvirmos que a mediunidade, essa sensibilidade que não apenas permite sentir a presença de espíritos, mas também possibilita que se comuniquem, é um dom, o que é uma interpretação equivocada. Ela não é “dom”, pois não é um presente para poucas pessoas, e nem é uma espécie de “graça divina”. É, isto sim, fruto de um desenvolvimento multimilenar do próprio espírito. E este, ao reencarnar, pode escolher que ela se manifeste de maneira mais evidente, com fenômenos visíveis, tanto para sua própria evolução, quanto para auxiliar as criaturas, no meio em que se encontre.

A mediunidade pode ser exercida com ou sem o transe mediúnico – aquele estado alterado de consciência em que um médium se desliga parcialmente das percepções imediatas da vida material para expandir a sensibilidade do mundo espiritual. No transe, a atuação de um Espírito fica mais patente, mas muitas pessoas simplesmente recebem intuições ou inspirações que aplicam para o Bem, na vida familiar ou na comunidade em que vivem, especialmente se mantêm uma conduta e bons sentimentos que as aproximem de bons Espíritos que também querem auxiliar.

Pois, como escreve Emmanuel em Nos Domínios da Mediunidade, “somos médiuns, dentro do campo mental que nos é próprio”. E, continua ele, fazemos isto “associando-nos às energias edificantes, se o nosso pensamento flui na direção da vida superior, ou às forças perturbadoras e deprimentes, se ainda nos escravizamos às sombras da vida primitivista ou torturada”. Isso, porque ela envolve afinidades e sintonia e porque cada ser sintoniza com aquilo que já traz em seu campo mental, emocional e, sobretudo, conforme sua moral.

Portanto, antes de pensar nela como um “dom”, ou “privilégio”, é mais apropriado considerá-la como sensibilidade e meio de comunicação que pode se tornar uma “oportunidade evolutiva”, mas cuja aplicação envolve imensa responsabilidade espiritual.

Leia também:

Cada um é MÉDIUM do seu jeito…

Não existe um padrão para a prática da mediunidade, porque ela depende de sensibilidade, de conhecimento sobre ela, de formas pessoais de lidar com as situações.

Claro que existem formas saudáveis e prejudiciais de vivenciá-la, como acontece com alimentação e até quando dirigimos um carro. Mas, ainda assim, nós a vivemos de nosso jeito, encarando as consequências, que não são ir “pro céu” nem “pro inferno”, não são castigos divinos. São, antes, resultados de nosso modo de pensar e agir. Se você dirige sem observar as placas, falando ao celular em vez de prestar atenção à rua e aos controles do carro, terá boas chances de causar um acidente…Se pilota a moto sem capacete, no mínimo, está assumindo um sério risco.

A invigilância para com nossos padrões mentais pode gerar efeitos psicológicos, emocionais e até psicossomáticos, além de nutrir ligações espirituais indesejáveis. Enquanto isso, a ignorância das leis da mediunidade nos impede de agir com segurança, disciplinar nossos impulsos em favor do bem-estar físico e espiritual. Portanto, o aprendizado é muito importante.

Andei pensando sobre isso e entendo que os bons Espíritos trabalham com a gente da maneira que podem, segundo nossas limitações, e da maneira que nós permitimos.

Isso, se houver uma chance de sintonia, se não tivermos muitas características que os atrapalhem ou impeçam de expressar seus pensamentos e intenção por nosso intermédio.

Eles não nos escolhem por nos acharem maravilhosos e perfeitos para o que pretendem.

Em geral, eles nos têm alguma simpatia, que pode provir de outras vidas. Ou, então, é simpatia por nosso desejo de progredir e pela sua própria vocação para ensinar.

Assim, sua presença ao nosso lado não significa aprovação total de nosso modo de pensar e agir, mas, esperança naquilo a que nos propomos, em termos de serviço, aprendizado e evolução…

(Ampliado e republicado de Ciência do Invisível)

5 Perguntas e Respostas sobre “Charlie, Charlie”

A existência ou não de Espíritos, a presença deles e a possibilidade de agirem sobre nós são algumas questões que intrigam grande número de pessoas e, poucas vezes, encontram uma abordagem serena e racional. Elas descobrem a possibilidade do fenômeno, ficam curiosas, mas falta um ingrediente essencial: o estudo aprofundado da teoria das manifestações mediúnicas.

Um exemplo disso é “Charlie, Charlie Challenge”, um novo formato de uma velha brincadeira que tomou conta do noticiário e das redes sociais, provocando medo e mal-estar em crianças e adolescentes, interferindo na rotina de alguns colégios, mobilizando pais e professores. Trata-se de colocar dois lápis cruzados sobre uma folha de papel com as palavras “sim” e “não” e perguntar: “Charlie, Charlie, você está aí?” O objetivo é saber se o “espírito” Charlie está presente. Quando o lápis se move, costuma haver pânico e gritos.

Allan Kardec dizia que antes de buscar explicações mediúnicas para um fato, é preciso descartar todas as explicações mais simples, que envolvem causas materiais. E os experimentos mediúnicos comprovados  costumam ser feitos em condições de alto controle das circunstâncias, o que em geral não ocorre nesse jogo, dificultando, em princípio, dizer se são autênticos.

Ficamos, então, com algumas questões simples e objetivas sobre o assunto:

  1. Algumas dessas manifestações podem ser devidas à ação de um ou mais Espíritos? Sim.
  2. Nesse caso, como seriam possíveis? Se algum presente for dotado de mediunidade de efeitos físicos, ele poderia contribuir de forma involuntária para o fenômeno.
  3. Uma criança pode ser médium? Sim. Todos somos médiuns, mas algumas pessoas apresentam fenômenos ostensivos, de maior intensidade. As crianças também podem ser médiuns desse tipo, vendo, ouvindo Espíritos ou, mesmo, tendo papel ativo em fenômenos materiais, como os movimentos de objetos.
  4. Todas as manifestações reais poderiam ser do mesmo “Charlie”? Isto é improvável. As manifestações mediúnicas verídicas têm um fim sério e útil. Se houver um Espírito respondendo, o mais provável é que se trate de um brincalhão, que se diverte em enganar e causar medo nas pessoas.
  5. Alguém pode se prejudicar com esse tipo de brincadeira? Sim, esse tipo de brincadeira pode levar à instabilidade emocional e à queda do rendimento escolar. Pode, também, se houver Espíritos sofredores ou mal-intencionados envolvidos, criar ligações espirituais com eles, o que eventualmente acarreta sofrimento, mal-estar e alguns dissabores.

Os pais, educadores, professores e pedagogos que compreendem e levam em conta a realidade espiritual, tendem a ser melhor sucedidos ao lidar com essas questões. Tendo um olhar mais abrangente, podem orientar alunos e familiares com tranquilidade e segurança. Tal conhecimento lhes permite, também, noutros momentos, entenderem melhor diversas alterações de humor e de comportamento pelas quais filhos e alunos passam, sem causa aparente. Infelizmente, muitos se perdem entre seus próprios medos, confusões de conceitos e ignorância das leis que regem as relações do mundo físico e o espiritual.

“Poltergeist 2015” e o problema dos filmes de terror

O invisível alimenta o terror há décadas. Numerosos filmes confirmam isso e atribuem o mal e o perigo à ação de mortos ou seres espirituais, que invadem a vida de pessoas comuns, destroem e matam.

Desse modo, praticamente todo efeito físico de causa não explicada – movimentos de objetos, pancadas, vozes – fica associado, em nossas mentes, com o mal, gerando medo. “Poltergeist”, um dos clássicos do gênero, ganhou uma releitura, que chega aos cinemas esta semana, trazendo fenômenos que aterrorizam uma família.

Nesses filmes, a manifestação dos mortos é sempre estranha, assustadora. Em geral, ocorre à noite, ou no escuro. Muitas vezes, em um local isolado. E contém alguma intenção maligna. A iluminação, os figurinos, efeitos e trilha sonora são feitos para aumentar a sensação de pavor.

Quando vemos coisas feias, seres horripilantes, disformes, ficamos impressionados pela sua aparência e acreditamos que o feio representa o mal. No mundo espiritual, porém, não é a forma, mas a intenção que conta. A maldade também sabe seduzir e nossos padrões de beleza nos iludem.

Além disso, os fenômenos poltergeist, exagerados e demonizados no filme, não significam perigo, obrigatoriamente. Eles fazem parte das pesquisas paranormais há muito tempo. Acontecem em laboratórios e à luz do dia, e a antiga Parapsicologia os chamava de Psi-Kappa. Acontecem nas casas das pessoas comuns e o Espiritismo fala em mediunidade de efeitos físicos.

Efeitos da mediunidade

Os movimentos de objetos e pancadas existem porque a mediunidade existe. Assim, como as centenas de livros psicografados por Chico Xavier.Só isso.

Muitas vezes, o médium que fornece o ectoplasma necessário aos efeitos físicos, sequer, está consciente de sua participação. São os chamados médiuns involuntários ou inconscientes.

pqr_mmm miniSobre os mortos Calunga, nosso amigo espiritual, escreve em Pensamentos que Resolvem: “Minha gente, os mortos não têm nada demais! É só um bando de passarinhos livres…”

E acrescenta: “Não botem imaginação demais em cima, porque é besteira.” Boa parte das coisas que nos assombram são frutos da imaginação. (Lembrando que isso inclui as preocupações. Muitas delas jamais se concretizam!…)

Ouça também no rádio:

MANIFESTAÇÕES DE EFEITOS FÍSICOS NOS FILMES 

Os apresentadores analisam por que alguns filmes tratam a mediunidade como fato aterrorizante. Afinal, os Espíritos podem nos fazer mal, como é mostrado no cinema?

Programa Universo Espírita – Rádio Boa Nova. Apresentação: Paulo Henrique de Figueiredo, Rita Foelker, Cristina Sarraf e George De Marco

Assista ao trailer oficial de “Poltergeist 2015”: