O que te adoece? E o que te cura?…

Para algumas pessoas, o sentido da vida é escolher uma montanha e chegar ao topo. Para outras, é definir uma meta e seguir em sua direção.

Outras ainda querem se libertar de algo ou acender uma luz para as vidas próximas. Ou simplesmente desfrutar os momentos.

Tem as que se apaixonam pela ideia de construir algo belo e que sobreviva ao seu tempo na Terra. E tem as que se dedicam a explorar as dimensões do desconhecido.

E não há nada de errado em sentir que a vida pode ser tudo isso. Mas não existe nada a esse respeito que possa ser imposto de fora. A gente precisa sentir lá dentro.

Às vezes, parece que é mais difícil e demorado do que você imaginava. Você, contudo, não entende que o caminho, pavimentado e sem imprevistos, estava somente na sua imaginação, porque o Universo está cuidando de algo maior: do seu desenvolvimento espiritual. Por isso existem pedras e buracos. E de repente você descobre que passou um longo tempo apenas procurando material para construir uma única ponte, no longo percurso até a realização do seu plano. E não percebe o que a vida está lhe oferecendo, nesse processo.

Quando as dificuldades surgem, você vai naturalmente focando no essencial. Porque somente aquilo que te move, que te motiva e faz levantar todas as manhãs, vai sobreviver aos desafios e obstáculos, vai te fazer encontrar tempo e meios.

A gente precisa aprender a seguir os propósitos da nossa alma, mas ela sempre tem um que é principal para cada existência.

No entanto, quando a gente age contra esse propósito, porque a mente se confunde, por exemplo… a gente adoece. E você sabe que está indo contra ele, porque se estressa, se entristece, se deprime ou fica muito irritado(a)…

Portanto, se se concentrar em perceber agora o que está aborrecendo, adoecendo e consumindo sua energia inutilmente, você está na trilha para entender qual é o maior de todos os seus propósitos e terá o início da resposta sobre o que pode fazer para se curar e equilibrar.

A “substância dos problemas”

Os problemas são feitos de substância mental. Eles crescem na sua mente, pela forma como a sua mente aprendeu a olhar para eles.

De fato, os problemas são oportunidades de crescimento; eles são desafios àquelas capacidades latentes na sua alma que carecem de desenvolvimento. Por isso, são difíceis e exigentes.

É comum olhar para eles com medo ou raiva, porque são desconhecidos e indesejáveis. Porque parecem imensos. E, basicamente, porque contrariam nossas expectativas.

E esse olhar provoca uma atitude interna temerosa ou rancorosa em relação a eles. Mas se nós os vemos como oportunidades, com amor e aceitação, eles viram parte da paisagem e criam uma história de aprendizado e progresso.

Todos queremos ter uma visão limpa e clara do nosso futuro e os desafios enchem nossa visão de neblina, de passagens estreitas e pedregulhos. Mas não significa que não possa ser uma bela jornada, onde habilidades são descobertas e amizades, sedimentadas.

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Entender como a mente funciona vai ajudar a lidar com nossos problemas.

Sabe por que o Windows fez tanto sucesso e mudou nossa forma de lidar com a tecnologia? Porque ele é intuitivo. Ele funciona como a nossa mente e conseguimos usá-lo sem grandes adaptações internas.

A gente clica e salva muita coisa, no dia a dia. Visões bonitas, palavras ruins que ouvimos, desejos não realizados, atitudes alheias que não aceitamos. Salvamos como favoritos do nosso YouTube.

Mas a gente nem sempre volta para aquela lista e revê se ainda quer aquilo lá. Então vai guardando memórias boas, mas também desnecessárias, e que são acessadas por semelhança e oportunidade. Se você passar por uma situação semelhante, tudo aquilo volta pra te alegrar mas também, muito frequentemente, para assombrar.

Veja se não é isso que está cansando você, minando as suas energias: retornar a situações conflituosas, lembrar de palavras mal escolhidas por pessoas importantes para você.

Isso só está pesando sobre você e impedindo sua mente de trabalhar pelo seu melhor. Então, delete o que não acrescenta nem traz Paz. Quando você desatravanca sua mente, você vai parando de funcionar em hábitos e padrões que não ajudam e nem resolvem os seus problemas.

 

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Mas não se trata de apenas dificultar sua vida, mas de desenvolver suas habilidades e virtudes. A vida mistura as energias, pra que você perceba a sua e reconheça a si mesmo(a), encontrando assim o seu espaço de paz e serenidade. Não se trata de certo ou errado, de melhor ou pior, porque tudo no Universo responde às necessidades e buscas de cada criatura em seu momento evolutivo. Trata-se de encontrar o seu caminho entre as muitas direções possíveis, aquele caminho que lhe oferece crescimento e alegria. 

A ética das curas mediúnicas

Do ponto de vista da vida espiritual, a doença física é considerada como uma manifestação sensível de uma condição invisível, não percebida pela pessoa, de origem psíquica ou espiritual, psicológica ou emocional.

A medicina terrena é uma ciência muito avançada, porém limitada por seus meios, instrumentos e por sua própria visão de mundo. Situações em que se lida com causas emocionais, “vibracionais”, enfermidades cujas origens remontam a outras encarnações e/ou se devem à influência de espíritos, ficam de fora da sua “caixinha”. Elas somente são observadas, se o profissional tiver suas crenças, estudos ou pesquisas pessoais a respeito.

Por isso, a medicina dos espíritos é um caminho procurado por muitos doentes que não encontram respostas em outros tratamentos.

As circunstâncias da cura mediúnica, contudo, fazem com que a situação do médium curador seja bastante distinta do médico, especialmente no que diz respeito à ética. O médium, cuja faculdade permite a ação dos espíritos no alívio e cura do problema, funciona como um intermediário, um simples auxiliar do processo:

Perante os espíritos, a cura em que opera não depende de si próprio, mas dos espíritos, em sintonia com as leis divinas.

Perante os encarnados, ele não pode garantir efeitos, pois a possibilidade de melhora está relacionada à necessidade e ao merecimento de cada pessoa, acrescida de seu estado atual, da sua receptividade ao tratamento, entre muitos fatores que o próprio médium desconhece.

Portanto, o resultado do tratamento depende menos do médium curador e, mais, do cumprimento das leis de Deus e da situação específica do enfermo, incluindo sua fé, sua vontade de modificar aqueles “hábitos que adoecem”. Nada disso está sob o controle do medianeiro.

Por isso, a humildade, o sincero intuito de servir e o desapego quanto aos resultados, são itens indispensáveis ao bom exercício desta faculdade mediúnica tão bela e tão peculiar.

A pessoa tem culpa por estar doente?

Tempos atrás, meu amigo Alexey Dodsworth escreveu um longo post no Face, sobre a abordagem esquizotérica (palavra dele) de quem tenta culpar alguém pelas suas doenças. Ou seja, você não apenas está doente, como isso representa um “traço negativo do seu caráter” – completava.

Tinha a ver com pessoas que não contam que têm câncer, porque gente próxima começa a especular em cima e isso aponta para defeitos seus que geraram aquela condição. Concordei com ele e aqui eu explico por quê.

Não é porque inexista uma ligação entre aspectos de nossas emoções ou hábitos mentais consolidados e a instalação de desequilíbrio no corpo físico. Mas é porque as pessoas frequentemente tratam assuntos muito complexos com excesso de simplificação.

Um dos livros de referência sobre o tema, Você Pode Curar Sua Vida, de Louise Hay, traz ao final uma tabela de doenças ou partes afetadas do organismo, seguidas de causa provável e proposta de adoção de novo padrão de pensamento – uma frase pra repetir -, que possa resultar em cura.

Bom, primeiro, imagino que a intenção da autora ao fazer essa tabela seria ajudar cada um a olhar pra si e, não, para diagnosticar os outros. Usar para os outros sem ser terapeuta ou algo similar, às vezes, é um jeito da nossa malícia e maledicência migrarem para o terreno da espiritualidade, porque é o que a nossa evolução, genericamente falando, permite: fugir de se ver e rebaixar o próximo.

Segundo, penso que uma lista desse tipo dá a impressão errada de que todas as otites são iguais, todas as rinites, todos os diabetes. E o engano está em isolar um órgão (ou um sintoma) do todo da pessoa, dentro de sua circunstância de vida, e atribuir a ela um buraco emocional ou deficiência moral, em função disso. Imagino que Louise pretendia que as pessoas lessem o livro todo, não se ativessem à tabela. Mas esse não é um hábito difundido nesses tempos de informação rápida e transitória…

Além do mais, eis um vício da medicina do Ocidente: olhar a pessoa por pedaços e querer tratar o “pedaço”, sem considerar o complexo físico/emocional/psíquico. Vício que vem de outro vício, de pegar uma ciência inteira, com toda uma filosofia por trás, como a medicina chinesa, o yoga ou a ayurveda, e transformar num manualzinho prático pra curar nossos achaques cotidianos, resolver tudo rapidinho e manter nosso modo de vida capitalista.

O excesso de simplificação coloca tudo na mesma categoria, fazendo esquecer que, às vezes, ficamos resfriados apenas porque saímos desagasalhados.