Amar não dói!

Namorar, estar junto, casar é uma escolha. Muitas pessoas que encontro estão sem parceiro e se declaram satisfeitas assim.

Entre as pessoas que estão sem parceiro ou parceira e que não estão contentes com isso, eu não arrisco classificações, mas identifico dois grupos: os esperançosos e os desiludidos com o amor. E eu gostaria de falar com esses, os desiludidos.

O amor é um modo de estar no mundo e também de estar com alguém específico. Um modo de sentir, de vibrar, de decidir e de agir. Como somos seres em constante mutação e nos relacionamos com seres também mutantes, externando o que somos, podemos atender ao amor mais genuíno e luminoso. Mas, também, eventualmente, atendemos ao egoísmo, ao medo, à vaidade e, fazendo isso, dificultamos nosso estar no mundo e estar com alguém.

E isso faz com que relacionamentos sejam complicados, difíceis, sofridos para um ou para ambos, faz com que eles azedem e terminem, criando desilusões.

Desiludir-se é desfazer-se de ilusões, o que é bom, em termos de autoconhecimento e de evolução espiritual. Mas os desiludidos se sentem frequentemente injustiçados e entram em sofrimento. E culpam o amor pelo que viveram. E temem sofrer novamente, se voltarem a namorar, o que é compreensível.

Mas pessoas desiludidas com o amor cometem um erro de foco. Elas se desiludiram com o amor por causa de um ou alguns relacionamentos que não funcionaram ou não terminaram bem. Mas o problema não estava nem nunca esteve no amor. Estava em circunstâncias, em atitudes, em situações do relacionamento que geraram desgaste, raiva e distância.

E como algo não deu certo e houve sofrimento, as pessoas criam defesas contra o sofrimento afirmando que o amor não existe ou nunca dá certo!

O equívoco aqui é tratar a si mesmo e ao amor como algo estático. Algo que é sempre o mesmo desde o início dos tempos e que vai gerar sempre o mesmo tipo de situação em sua vida.

Um melhor entendimento espiritual, contudo, vai permitir observar as pessoas em evolução e os relacionamentos evoluindo, junto com elas. As situações desagradáveis que se repetem em cada vida, portanto, não significam que o amor é sempre assim. Essas situações são oportunidades. São convites para se agir melhor do que na vez anterior. Ampliar a visão para aprender e integrar o aprendizado na compreensão e na ação.

Porque a vida quer que a gente cresça. Evolua. E isso vai exigindo um movimento de estender a visão além do que antes se via e aprofundar o entendimento. Conhecer-se melhor e confiar mais no Bem que brota de escolhas esclarecidas e iluminadas pelos bons sentimentos e intenções.

Meu novo livro, Amores Espiritualmente Inteligentes, traz 25 textos falando de Inteligência Espiritual nos relacionamentos, abordando temas como casamento, erotismo, dinheiro, ciúmes, tudo o que acontece quando decidimos viver em amor com uma pessoa por muito tempo. Ele será lançado e estará disponível a partir de 28 de Setembro. Curta a página Vidas Inteligentes – Rita Foelker, no Facebook, e acompanhe tudo que que está acontecendo nessa semana especial.

 

O amor NÃO É líquido!

Eu olho em volta e vejo mudanças acontecendo, liberdade aumentando, desde os anos 1960. Mas não vejo amor se derretendo ou liquefazendo… Vejo, antes, seres confusos sobre o que esperar da vida e de seus relacionamentos.

Esta confusão caminha junto com a nossa perda da capacidade de sentir profundamente e de interpretar sentimentos e sensações. Vou compartilhar um pensamento que me ocorreu ontem, enquanto saboreava uma manga tommy e  me lembrava da variedade de mangas existentes na Natureza. Manga espada, manga rosa, manga bourbon, manga coquinho… Ser criança num quintal é um convite à experiência e degustação, que estimula e desenvolve a sensibilidade e aumenta o número de conexões cerebrais. Um exercício que vai nos habilitando a sentir e a discernir. Ter um quintal é um tipo de privilégio.

Essa experiência, porém, foi se distanciando das cidades. Os sabores industrializados são todos iguais – chocolate, morango, tutti-fruti. São misturas químicas, em alimentos excessivamente doces ou salgados. Muitas vezes, reforçados com glutamato monossódico. São sabores que viciam e funcionam em nós de um jeito tal, que as sutilezas se perdem para o paladar.

E com elas, vamos perdendo as experiências sensoriais. Empobrecendo nosso repertório de sensibilidades. Fazendo esquecer a capacidade de sentir.

Uma relação a dois é um exercício de sensibilidade, de perceber a forma como nos sentimos e como fazemos o outro sentir. Quando perdemos essa referência, ficamos confusos, eventualmente inconstantes, e nossas relações se fragilizam.

“Sobre a fragilidade dos laços humanos” é o subtítulo do livro Amor Líquido, de Zygmunt Bauman. Às vezes a gente lê uma coisa e concorda – ou acredita – só porque vê escrito. Juntar “amor” e “fragilidade” numa frase faz pensar que a fragilidade é um traço característico do amor. Mas não é. O amor é sempre belo e forte.

Ocorre que antigamente éramos mais movidos por regras, família e expectativas sociais do que hoje em dia. Antigamente os costumes eram mais rígidos. Os bens eram mais duráveis. Os avanços tecnológicos eram mais lentos. As pessoas hoje se acostumaram a uma velocidade maior, que leva a uma troca ou substituição mais frequente.

Mas há coisas que permanecem. A fluidez e as mudanças só são boas porque há bondade, amor, segurança das Leis Divinas. Sem itens que são permanentes – Amor, afeto, aprendizado, evolução, uma vida perde seu sentido entre medo, ansiedade e confusão. E as relações balançam ou colapsam.

A desatenção às mudanças que ocorrem no relacionamento (mudanças, muitas vezes, pressionadas por questões externas e, outras, pela alteração na própria forma de os parceiros verem a vida) faz com que os sinais sejam negligenciados. E com a negligência há o distanciamento.

O distanciamento começa com o foco a outros aspectos, como o profissional ou pessoal, por exemplo. Cada parceiro vai se envolvendo mais com as “suas” próprias coisas e fazendo menos as “nossas” coisas. Há também distanciamento físico: menos beijos, menos carinho, menos sexo. E quando as coisas não vão bem, parece haver um certo prazer em provocar e magoar o outro. Tudo isso, aparentemente, em nome do direito de viver a própria vida.

Claro que vivemos nossa própria vida! Mas isso não quer dizer que não a compartilhamos com alguém, por desejo e por amor. Com um pouco de atenção e generosidade, quando percebemos que os laços estão se esgarçando, que já não existe tanta cumplicidade e harmonia quanto antes, podemos mudar isso.

Estando mais atento(a). Compartilhando mais tempo. Interessando-se mais pelo que se passa com o(a) parceiro(a). Tocando, beijando e abraçando mais – sim, o afeto é dado e recebido fisicamente! Cuidando mais dos sentimentos. Responsabilizando-se pela convivência e necessidades comuns.

O Amor é forte, firme e belo, mas precisa de nossa atenção e de nossas atitudes.

Por que você atrai “pessoas erradas”?

Talvez você tenha vivido situações estressantes e difíceis em relacionamentos e seu primeiro impulso foi de apontar o erro do outro, culpar o outro por ocorrências desagradáveis, isentando a si mesmo(a). Talvez você tenha até terminado essa amizade, sociedade ou namoro, porque não desejava “pessoas assim” na sua vida.

Mais tarde, quando a poeira baixou, você repensou e os fatos acabaram tendo menos importância que no momento em que aconteceram. Um bom papo com um amigo ou amiga pode ter lhe apresentado outro ângulo da situação. Talvez o tema surgiu na terapia e você pôde olhar novamente para a velha questão, enxergar o que antes não conseguia. Houve, assim, um aprendizado.

Mas e se eu lhe disser que o aprendizado era o principal?…

Tudo funciona melhor quando se compreende que todos os relacionamentos nos ensinam alguma coisa. Todos.

E que nos ensinam especificamente sobre nós mesmos, antes de mais nada.

Um dos efeitos de se adquirir uma visão espiritual mais ampla da vida e dos relacionamentos é exatamente esse: parar de culpar somente o outro, passar a assumir sua própria responsabilidade e poder decidir – com mais consciência – a respeito do que se quer, a partir de  um grau maior de lucidez ou discernimento, sem o desmantelo das emoções à flor da pele, sem tanta raiva ou mágoa e sem a ignorância das leis da vida. Quando se começa a observar: O que é que me deixa contrariado? O que me incomoda? E como fico, quando sou contrariado? Ser assim me faz bem ou não?…

Talvez você viva se envolvendo com pessoas que sugam você. Que enganam você. Que não levam você a sério. Que se aproveitam de você. Mas qual é a sua parte, nisso? Onde você é sugável, enganável, aproveitável etc.?

Nós nos aproximamos uns dos outros para evoluir individualmente e coletivamente. Não há vítimas, não há culpados. Você vibra na frequência dos seus pensamentos, ações, emoções e sentimentos. E atrai pessoas na mesma frequência.

A vida está lhe mostrando algo em você, através do outro.

Quando um relacionamento parou de ser bom, não quer dizer que acabou. Será que você parou de aprender ou desistiu de tentar? Será que percebeu que realmente não está valendo a pena, que não dava pra seguir adiante porque está se machucando muito ou machucando o outro?

Mesmo em casos assim, há sempre algo a ser curado, nas suas emoções difíceis, quer a relação siga adiante ou não. Só assim você vai recuperar a paz: quando liberar os ressentimentos e parar de culpar somente o outro pelo que deu errado.

Tudo que está em sua vida é um reflexo da sua necessidade, da sua dificuldade. Representa um momento de aprendizado específico que vai perdurando ou se repetindo, enquanto você não absorver o ensinamento.

Mas também reflete sua força e leveza internas. Seu progresso e crescimento como pessoa e sua caminhada espiritual. Talvez você esteja fechado, reclamando, esperando aparecer alguém especial e maravilhoso pra você se dar uma nova oportunidade. Mas não é assim que funciona: a nova oportunidade – oportunidade de verdade! – surge quando você realiza transformações interiores reais e atrai novas situações para o seu cotidiano.

 

Não pire: se organize!

A maioria das pessoas com que a gente conversa, hoje em dia, é ultramegaocupada. Tem pouco tempo para curtir, para refletir, para ler ou passear, para fazer o que gosta…

Talvez você se sinta assim mesmo, pressionado pelo calendário, pela necessidade de manter o emprego, pelos compromissos com família e estudos, de modo que nunca está realmente tranquilo para enxergar o momento presente e concentrar-se no que precisa ser feito.

Isso cria algumas situações ruins. Não se desligar das ocupações, mesmo no horário de repouso (porque a cabeça não pára!), o que gera insônia e conflitos com pessoas próximas. Tentar fazer um monte de coisas, sem conseguir fazer nada direito, porque, embora esteja de corpo presente, a mente viaja pro passado e pro futuro, o que gera desatenção, baixo rendimento e esforço inútil.

Sei que isso pode ser difícil, mas antes de pirar, de submergir num estresse emocional, há um modo de organizar as coisas. E pra isso, você só precisa de uma agenda de celular ou de papel. Um quadro branco num lugar visível pode ser utilizado.

Não estou falando de uma agenda de compromissos, simplesmente. Estou falando em prioridades, em distribuir o tempo  para dedicar a aspectos que são fundamentais, na vida. Talvez você prefira fazer do seu jeito, mas pra mim, uma boa divisão seria:

  • Saúde (olhar-me com atenção e fazer o necessário ao meu bem-estar físico e emocional, incluindo faxina e preparo da alimentação).
  • Relacionamentos (realizar metas junto ao ser amado, familiares e amigos; aprimorar minhas relações com o Planeta e a Vida).
  • Trabalho (realizar trabalho manual, intelectual e profissional, que me dê alegria, com ou sem retorno financeiro, mantendo a sensação de ser e útil no lugar onde vivo)
  • Descanso (respeitar os limites físicos e mentais).
  • Prazer  (ter algo que se faça por puro contentamento, que ajude a relaxar e, ao mesmo tempo, sentir-se com energia renovada).
  • Prosperidade (garantir meios de sustento material, no fluxo de doações e recebimentos).
  • Interiorização e Equilíbrio (interiorizar, refletir, manter contato com o propósito da minha existência na Terra e não perder de vista minhas prioridades).

Você pode distribuir esses itens num dia, numa semana, num mês. Assegure-se de que nenhum deles ficou esquecido ou menosprezado. Assim, sabendo que haverá tempo para tudo, sua mente não precisa ficar dispersa, tensa ou ansiosa.

Essa divisão está mais voltada à qualidade do tempo, que à quantidade. Priorizando o Equilíbrio e a Interiorização, você vai efetuando os ajuste  que sentir necessários, aumentando a consciência dos momentos e a Paz íntima, gerando Alegria crescente. Eis um dos mais efetivos usos da Inteligência Espiritual.

No trabalho, verá que a produtividade vai aumentar e certamente, ao final de cada dia, vai se sentir bem mais satisfeito(a), permitindo-se descansar, estar realmente com os seus amados, com profunda sensação de ter realizado algo verdadeiro para si, sua comunidade e seu planeta.

Família: tão importante que, mesmo quando negamos, estamos afirmando de um jeito inverso

Filha para os pais, à mesa: – Assim não dá! Vocês nunca brigaram! Assim, eu fico sem referência! Conclusão do pai: – Isso é culpa da escola construtivista…

A conversa acontece em Amor Veríssimo, do GNT, uma série sobre relacionamento baseada em textos de Luís Fernando. Diálogos divertidos, coisas pra pensar com leveza.

Família, todo mundo tem. Gostando ou não, morando perto ou longe, por nascimento ou por escolha, no dia a dia ou na lembrança. E há algo de importante e profundo na família: nossas origens, nossas referências, nossos comportamentos aprendidos. Nossas ligações espirituais. E esse algo é tão forte que, mesmo quando negamos, estamos afirmando de um jeito inverso.

Mas, indo bem ou, mesmo, aos “trancos e barrancos”, quem acredita viver num Universo feito de acasos e fatos fortuitos, tende a pensar na família como uma casualidade ou um acidente de percurso. As ideias materialistas alimentam essa visão. O clássico “eu não pedi pra nascer”.

Pensando sobre isso, hoje eu creio que as maiores dificuldades de relacionamento que as famílias enfrentam vêm dessa visão rasa. Porque quem diz que não pediu pra nascer, também não pode ser responsabilizado. Sente que “caiu de paraquedas” e não tem nada a ver com aquilo ali. Não pode ser “cobrado” por suas atitudes. E, às vezes, essa sensação leva a um tipo de vida autocentrada, individualista, que vai minando as ligações familiares, mas não só isso: gerando instabilidade, discussões, distanciamento.

Família é um laço espiritual. Quando a compreensão da lei espiritual nos aponta o sentido mais amplo da convivência familiar – aprendizado e evolução -, começamos a pensar diferente e a agir diferente. Com entendimento de significados e consequências, temos outra perspectiva das dificuldades cotidianas.

Eckhart Tolle, em O Poder do Agora, nos convida a aceitar o momento presente como se o tivéssemos escolhido. Mas não é tão raro viver a família como se ela fosse um fardo, uma realidade incômoda ou, até, uma prisão. De fato, todos nascemos de um pai e uma mãe, e isso não tem como ser mudado. Nascemos num certo meio e com um corpo físico que, saudável ou não, não pode ser trocado. Se não gostamos da nossa condição e se não entendemos por que estamos naquele lugar, às vezes, pode ficar difícil aceitar e conviver com as diferenças de hábitos e opiniões. Administrar a distância entre visões de vida e as emoções confusas. Mas ainda podemos olhar melhor e ter mais sabedoria nos atos e escolhas.

Não tem receita pra ser família. Às vezes, é o caso de compor uma solução; às vezes, segurar a onda de ser você mesmo(a). Mas seja como for, sempre dá pra ser mais compreensivo, benevolente e generoso, quando somos mais espirituais que imediatistas.