Dinheiro bom é “dinheiro pra…”

As pessoas às vezes fazem coisas pelos motivos errados. Fazem coisas por insegurança, por cobiça, por rancor e por ambição. E digo que são motivos errados, não pelo julgamento alheio ou porque a religião diz, mas porque se mostram errados pelas consequências que lhes retornam. Principalmente, porque não as tornam mais felizes.

Ganhar dinheiro é o tipo da coisa boa quando acontece, mas que muita gente faz pelos motivos errados. Dinheiro pra manter-se, manter um lar e uma família: bom! Dinheiro pra viajar, pra ter conforto, pra cuidar da saúde, pra poder ajudar os filhos ou quem precise: bom! Me recordo agora de A Lista de Schindler (1993), um filme que fala de um homem riquíssimo com uma visão espetacular de humanidade.

Mas muitas pessoas querem dinheiro com o objetivo de simplesmente guardar. Querem dinheiro pra tentar curar sua insegurança que, no fundo, só seria curada (mesmo!) com uma boa terapia e um olhar honesto para dentro de si mesmas. Então, não importa quanto tenham, nunca será suficiente.

Penso no dinheiro, não como uma coisa, mas como uma energia que circula entre as pessoas. Algo que devemos respeitar e cuidar. Mas não devemos nos curvar a ele. Não devemos depositar nele todos os nossos sonhos, todas as metas, todas as horas do nosso dia.

Como escreveu Lacan: “O valor de uma coisa é a sua desejabilidade – trata-se de saber se ela é digna de ser desejada, se é desejável que a desejemos.” Pra mim, dinheiro bom é “dinheiro pra…”. Dinheiro não é solução universal pra tudo. Pra que você o deseja?

Ultimamente, contudo, mesmo pessoas que se dizem “espirituais” não fazem essa pergunta. Tentam ganhar dinheiro em cima de pessoas que querem mais dinheiro. Tenho ouvido falas de terapeutas, comunicadores de rádio, pessoas que estudam as leis espirituais, “gurus” e “xamãs” urbanos, que se propõem a realizar terapias e rituais que melhoram a vida material, prometendo prosperidade. Igrejas fazem isso: pedem dinheiro prometendo dinheiro, casa e carros aos fiéis. “Vida próspera” seria igual a “vida com dinheiro”.

Há aqui, segundo penso, uma grave inversão. Pois o que vivemos na vida material é que visa servir ao desenvolvimento espiritual. Não é a espiritualidade que serve à nossa conveniência e conforto terreno. Vemos tantas pessoas com muito, muito dinheiro mesmo, que permanecem infelizes e têm problemas realmente graves, daqueles que o dinheiro não consegue resolver: uma doença muito grave, dependência química, desentendimentos na família, depressão… Que somente sentirão alívio se buscarem autoconhecimento, se desenvolverem aceitação ou assumirem a necessidade de mudar, se assumirem responsabilidades perante si mesmas e a sua paz interna. Técnicas e conhecimento, obtidos num curso ou workshop, não são sinônimo de sabedoria e elevação. Não dão currículo para iluminação.

Também, querer viver só o “espiritual”, em geral, não funciona.A matéria é importante. Dinheiro é importante, pois amplia suas opções na vida. Mas, por isso mesmo, você precisa mais que ter dinheiro, precisa saber escolher. As grandes metas da vida não são do “querer ter”, são do “querer ser”. E a jornada é tão ou mais importante que o destino.

Profissão e carreira: o que você realmente procura?

As pessoas costumam passar muito tempo de suas vidas pensando no trabalho que desejam ter. Depois, preparando-se para ele. E, enfim, batalhando por um emprego ou oportunidade em que seus sonhos se concretizem.

A quantidade de gente frustrada com sua escolha, contudo, é grande.

Se você se sente assim, não está sozinho(a). Há estudos muito bons sobre o assunto, como o livro Burnout: Stages of Disillusionment in the Helping Professions, de Jerry Edelwich e Archie Brodsky. Os autores apontam os quatro estágios que levam à síndrome conhecida como burnout: entusiasmo, estagnação, frustração e apatia. Você se reconhece em algum deles?

Os efeitos dessa frustração são cumulativos e, em casos extremos, têm consequências sérias para a saúde física, mental e emocional.

Sim, a insatisfação com o trabalho se reflete em outras áreas da vida. E o fato é que a alegria e a paz, a realização mais plena, nunca estão dentro do universo empresarial. Ali, as metas têm a ver com lucros e um tipo de excelência que, geralmente, não combina com seus anseios mais profundos. Ali, os objetivos se esgotam em si mesmos, sem qualquer propósito mais amplo ou universal, com raras exceções, como nos casos do empreendedorismo social.

Mas há pensamentos equivocados que sustentam esse mal-estar que você experimenta. Um deles é o que relaciona bem-estar e felicidade a conforto financeiro.

Ora, não tem nada de ruim em ganhar bem! Mas felicidade é outra coisa. É sentir que há prazer no que faz e que aquilo que realiza e constrói tem um sentido mais profundo para você.

Talvez, você queira algo que poucos querem ou entendem. Lavar carros é um trabalho digno, como qualquer outro. E necessário. Mas onde quer que esteja, pergunte: você sente que deseja fazer isso para o resto da sua vida? Está fazendo bom uso da sua circunstância, para obter alegria de viver, estreitar relacionamentos, aprender coisas novas? Você compreende o significado do momento presente para a evolução da sua alma?

Viktor Frankl escreveu: “Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a. Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se.”

É revigorante reavaliar crenças e ideias aprendidas. Recriar-se, reinventar-se, se sentir necessidade, transformando, em seguida, o cenário de sua vida.